O fracasso na Copa do Mundo não alterou o valor de mercado e o poder de mídia de jogadores como Cristiano Ronaldo, Lionel Messi, Wayne Rooney e Kaká. Mas o desempenho na África do Sul modificou a carreira de vários jogadores. E um dos exemplos é David Villa.

Quando a Espanha iniciou a sua preparação para a Copa do Mundo, Villa já era unanimidade na seleção espanhola e admirado por carregar o Valencia, com 107 gols marcados em 166 partidas nas cinco temporadas em que defendeu o clube.

Seu desempenho na Espanha era indiscutível. Foi artilheiro da Eurocopa de 2008, mas desfalcou a equipe na final do torneio e se viu ofuscado por Fernando Torres, autor do gol do título que encerrou um jejum de 44 anos sem grandes conquistas da sua seleção.

Assim, Villa chegou ao torneio como um dos melhores atacantes do mundo. Mas a sua avaliação começou a mudar mesmo antes da Copa. Por 40 milhões de euros, deixou de ser o principal jogador do médio Valencia para se tornar o centroavante do gigante Barcelona, sensação do futebol europeu nas duas últimas temporadas.

E na Copa do Mundo deu mostras de que o Barcelona investiu bem. Depois de falhar, como todo o setor ofensivo da Espanha, na derrota para a Suíça, reagiu diante de Honduras, e, mesmo perdendo um pênalti, marcou os dois gols da vitória por 2 a 0.

Contra o Chile, fez um golaço com a perna esquerda, desenvolvida após quebrar a direita quando tinha apenas quatro anos. E ainda deu o passe para o segundo gol espanhol, marcado por Iniesta, na vitória por 2 a 1.

Villa não parou na primeira fase da Copa do Mundo. Fez o gol da difícil vitória por 1 a 0 sobre Portugal nas oitavas de final e repetiu a dose diante do Paraguai, nas quartas de final do Mundial. O atacante passou em branco contra Alemanha e Holanda, mas o título mundial foi conquistado pela Espanha. E Villa alterou a sua condição. O atacante veloz, explosivo e artilheiro já é um astro mundial.

Leandro Augusto publica vídeos sobre esportes aos sábados no Sete Doses.

O Real Madrid está na sua segunda era de galácticos, fruto do retorno de Florentino Pérez ao cargo de presidente de um dos maiores clubes do mundo. A chegada de reforços renomados ainda não trouxe os resultados esperados, mas nem por isso o dirigente mudou sua rota, amparado pelos magníficos recursos oriundos do marketing.

Existe uma posição do Real Madrid, porém, que Florentino se recusa a mexer. A meta do time é de Iker Casillas, desde a temporada 1999/2000. Foi a segurança do goleiro que o transformou em titular e chamou a atenção dos técnicos da Espanha, que não o deixam fora da seleção desde 2000.

Até alcançar a glória pela Espanha, no entanto, Casillas precisou passar por percalços. Foram dois fracassos na Eurocopa e na Copa do Mundo, mesmo depois de desempenho brilhante na disputa de pênaltis das oitavas de final do Mundial de 2002, contra a Irlanda.

A consagração veio em 2008, ao vencer um duelo pessoal contra Gianluigi Buffon em disputa de pênaltis durante a Eurocopa e com o desempenho não menos brilhante nas outras partidas do torneio, vencido pela seleção espanhola após 44 anos de jejum.

Mas bastou uma derrota para que a qualidade de Casillas fosse colocada em discussão. A Espanha parou na defesa da Suíça em sua estreia na Copa do Mundo. E, em um contra-ataque, os suíços marcaram um improvável gol da vitória. Foi o suficiente para o moralismo entrar em campo. Mesmo sem falhar na jogada, Casillas foi escolhido como culpado. O vilão dessa vez foi uma vilã: a jornalista Sara Carbonero, sua namorada, que teria atrapalhado a sua concentração.

Casillas ignorou os comentários maldosos e invejosos, levou mais um gol, em partida contra o Chile, e viu a Espanha avançar às oitavas de final da Copa do Mundo. E aí começou a decidir o torneio sul-africano. Não levou gol diante de Portugal e evitou uma eliminação para o Paraguai ao defender um pênalti quando o confronto estava empatado em 0 a 0.

Foi quase mais um espectador na semifinal contra a Alemanha e voltou a aparecer na decisão contra Holanda. Evitou duas vezes que Robben marcasse para a Holanda, com intervenções precisas. E com a solidão que acompanha e atemoriza todos os goleiros, chorou sozinho após o gol de Iniesta na prorrogação da final.

Um choro esperado e ansiado no momento da consagração máxima de um jogador de futebol. Para Casillas, situação amplificada ao se tornar o terceiro goleiro a ter a honra de levantar um troféu da Copa do Mundo – os italianos Dino Zoff e Luva Combi foram os outros.

Consagrado, Casillas iria deixar a África do Sul como capitão da seleção campeã do mundo, com apenas dois gols sofridos em sete jogos e defesas inesquecíveis, como o pênalti paraguaio e as finalizações de Robben na final. Ainda lhe parecia pouco. E havia a vontade incontrolável de comemorar sua maior conquista com a namorada. Então, Casillas beijou Sara Carbonero durante uma entrevista. E a sua conquista estava completa.

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Tem jogador que parece ter nascido para ter fama de coadjuvante. Melhor, então, ser um coadjuvante vencedor. Tem sido assim com Andrés Iniesta. Titular absoluto do Barcelona e da Espanha, o meio-campista foi importante para as conquistas de duas das equipes mais vencedoras e encantadoras dos últimos anos.

Os aplausos ficam reservados para Lionel Messi e Xavi Hernandez, mas Iniesta já provou a importância do seu futebol eficiente, inteligente e do seu toque de bola rápido e perfeito. Tanto que sua ausência foi muito sentida nas semifinais da Liga dos Campeões da Europa da última temporada, quando faltou criatividade ao Barcelona, eliminado pela Inter de Milão.

Na Copa do Mundo, a sina de coadjuvante começou a se repetir. Xavi organizou a equipe, Villa foi fundamental com cinco gols e uma assistência, Casillas salvou a equipe ao defender um pênalti contra o Paraguai e até o questionado Puyol foi alvo dos holofotes ao marcar o gol que garantiu a Espanha na decisão na África do Sul.

Na final, os espanhóis tiveram que encarar uma Holanda que tentou controlar o jogo na base da pancadaria. Os holandeses deixaram de lado o futebol de resultados, que lembrava a Alemanha da década de 80 e do início da de 90, apelou para as faltas e até equilibrou o confronto.

Foi o momento de Casillas aparecer. Depois de uma trapalhada em devolução de posse de bola de Heitinga, o goleiro começou a decidir a final da Copa do Mundo. Primeiro, ao evitar um gol de Robben no final do primeiro tempo.

O confronto voltou a se repetir aos 20 minutos da etapa final. Sneijder lançou Robben em velocidade, que ficou cara a cara com o goleiro espanhol. E Casillas, com o pé direito, evitou que a decisão da Copa fosse definida neste lance.

O susto fez Vicente del Bosque agir. Apostou em Fabregas no lugar de Xabi Alonso para dar mais qualidade ao meio-de-campo espanhol. A troca deu certo porque o meia do Arsenal começou a brilhar e se tornou protagonista. E o pé esquerdo de Stekelenburg evitou a sua consagração no começo da prorrogação.

Foi quando apareceu o discreto Iniesta. Sofreu a falta que originou a expulsão de Heitinga, que deixou a defesa holandesa escancarada. E quando faltavam quatro minutos para acabar o jogo, recebeu passe de Fabregas e marcou o único gol da final da Copa do Mundo. Deu o título mundial para a Espanha e enfim recebeu a atenção que sempre mereceu.

Na comemoração do gol mais visto pelo mundo nos últimos quatro anos ainda se lembrou de homenagear Dani Jarque, ex-jogador do Espanyol que morreu em agosto de 2009 por conta de uma parada cardíaca, e mostrou que sabe compartilhar até o momento de glória de máxima da sua carreira.

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Segundo jogo, segunda vitória, mais uma ilustração para a Copa.

Alessandro Ziegler publica suas ilustrações às quintas-feiras no setedoses

Minha primeira ilustração para a Copa. Espero que até o final da competição sejam todas com o Brasil!

Alessandro Ziegler publica suas ilustrações às quintas-feiras no setedoses

O soldado Dunga, que faz do campo de futebol um front de batalha

Sempre simpatizei mais com drogados do que com guerreiros. Sei lá o motivo, mas prefiro o que é torto e fora do lugar. Nada que é comum me agrada. Prefiro me ligar a pessoas e causas que saem do politicamente correto. Se os guerreiros são celebrados como heróis, prefiro ficar ao lado dos drogados decadentes. É da minha natureza. Por isso, esse ano estou com a Argentina de Maradona e torço contra o Brasil de Dunga.

Escrevo isso antes da estreia do Brasil e essa opinião não mudará de forma alguma. Se o time de Dunga golear todos os adversários e conquistar o hexa, continuarei achando a postura do time e do treinador uma merda. Os discursos e o isolamento da torcida e da imprensa mostram que temos um treinador de ego inacreditável, beirando o patológico. Maradona tapou seus vazios existenciais com cocaína, Dunga tapa os dele querendo ser o líder de um Exército. Enquanto Maradona fuma charutos, brinca com os jogadores, libera o sexo e a cachaça, Dunga fica de cara amarrada repetindo a palavra comprometimento como um papagaio mecânico programado para falar bosta. Prefiro a subversão, prefiro o não levar a sério, a anarquia, o caos. É disso que somos feitos.

Comprometimento é o caralho. Futebol é uma brincadeira. A bola é um brinquedo. Os jogadores precisam brincar em campo para dar alegria para quem assiste e quer se divertir. Diabos, futebol é diversão! Quando um babaca como Dunga fica repetindo as merdas que fala, o esporte vira a mesma coisa que a política ou o mundo corporativo. A visão de nosso técnico do que é uma partida de futebol beira o fascismo. É assim que as ideias conservadoras e babacas que regem nossa política nascem. Se o Brasil ganhar a Copa com esse modelo belicoso será tido como modelo de sucesso. Assim como uma empresa que fode com seus funcionários para obter lucro. A seriedade em excesso, na maior parte das vezes, é terrível. Assim como a anarquia excessiva faz mal, como ficou claro na Copa passada. O meio termo, sempre o melhor caminho, nunca é lembrado.

Dunga, quando faz seu discurso, pensa que está defendendo uma pátria. O caralho! Ele quer, com sua filosofia barata, rígida e cega, formar uma seleção dele e de mais ninguém. Ele quer ganhar a Copa não para dar um presente para os brasileiros. Ele quer ganhar para calar a boca de todo mundo e provar que ele estava certo e que ele é o fodão. Dunga é o típico homem dos nossos tempos. Acha que o sucesso eficaz é o que importa. Esquece-se a paixão, esquece-se a arte, a subjetividade, esquece-se o sentido do futebol. A eficiência acima de qualquer coisa. A mecânica em detrimento da imperfeição humana. Dunga forma um Exército que vai para uma batalha cujo objetivo é vencer e não entreter ou encantar. A vitória pela vitória, danem-se as consequências. Tem coisa mais sem sentido que isso? Tem coisa mais insossa que essa seleção brasileira?

Do outro lado, vejo o imperfeito Maradona falando o que pensa nas coletivas, levando a Copa do jeito que tem que ser levada, como um grande evento, uma grande festa. Trabalha-se sério, sim, mas na medida certa, com piada, com alegria, com verdade. Ele pode não entender nada de tática, mas sabe dar uma boa festa. Dizem que Maradona é louco, um cara que só arranja confusão e tal. Ele é imperfeito e não tem vergonha de mostrar. Dunga, com seu discurso falso e indigesto, não consegue enxergar suas próprias imperfeições, de tão focado em sue próprio umbigo, em sua vitória pessoal, em seu cala boca para os que o cornetam.  Maradona é arte, Dunga é brutalidade. Maradona cheira cocaína, Dunga come merda. Qual você prefere? Seja lá quem ganhe, eu fico com uma bela carreira de cocaína no lugar de um punhado fedido de merda.

André Toso escreve para o Sete Doses aos domingos e torcerá contra o Brasil se a seleção jogar contra a Argentina

Em épocas de Copa do mundo sempre surgem aplicativos legais para divertir os que são fanáticos e os que nem gostam tanto assim de futebol. Separei algumas coisas bacanas para te divertir durante esse mês de bola rolando na África do Sul.

Primeiro, um guia da Copa que foge do convencional. Nada daqueles guias quadradinhos que a Fifa toda vez solta e os jornais e revistas copiam à vontade. Esse aqui tem infos de todos os jogadores, mas uma visão mais solta, bem humorada, de quem curte futebol. Afinal, é Um Guia Legal Pra Caramba. Dá pra ver online ou baixar, tudo grátis.

Já a Abril.com fez um joguinho muito divertido, no estilo Super-Trunfo. Você pode jogar com a seleção brasileira ou montar seu time. Aí disputa habilidades de jogador contra jogador. Legal para quem entende de futebol ou para quem não está nem aí para a Copa. Com certeza vai te tomar uns minutos do dia.

E para os mais viciados, a Fifa criou uma espécie de Cartola para a Copa. Você monta seu time com 11 atletas entre todos os convocados para a Copa e a cada rodada acumula pontos de acordo com o rendimento dos jogadores escolhidos nos jogos de verdade. Parece complicado, mas para quem joga o Cartola é um estímulo a mais para assistir aos jogos do mundial. E os prêmios são incríveis, de camisas autografadas por jogadores a carro e viagem para a festa de gala da Fifa na Suíça. Clique aqui para montar seu time.

Thiago Kaczuroski, o Kazu, escreve às quartas-feiras no Sete Doses e torce sempre para a Inglaterra e a França se darem bem, mantém aquela pontinha de esperança no Brasil mas quer mesmo é ver o Maradona campeão de novo.