Ronaldo Nazário de Lima foi chamado nos últimos 20 anos de Ronaldinho, Ronaldo, Fenômeno e Gordo. Muitos nomes para um jogador único, o melhor e mais marcante da sua geração, em uma carreira que durou 18 anos e foi marcada por gols, premiações, muita superação e alguns títulos.

Ironia do destino, o atacante que conquistou o futebol mundial com sua explosão física, principalmente na década de 1990, parou exatamente porque as limitações do corpo, percebidas nas várias lesões e no excesso de peso, venceram Ronaldo. Antes dessa derrota, e enquanto conseguiu superar essas limitações, ele fez história.

Precoce, estreou na equipe profissional do Cruzeiro com apenas 16 anos, em 1993. Se destacou imediatamente ao marcar 12 gols no Campeonato Brasileiro, sendo cinco em histórica vitória sobre o Bahia. Ronaldo manteve o ritmo no ano seguinte, sendo campeão e artilheiro, com 22 gols, do Campeonato Mineiro.

Aos 17 anos, já superava as barreiras do futebol local. Foi convocado para a Copa do Mundo de 1994 e viu, sempre do banco de reservas, o Brasil faturar o torneios nos Estados Unidos, encerrando um jejum de 24 anos. Negociado com o PSV, seguiu a rotina de atuações impressionantes, com 54 gols em 57 jogos.

Fez cinco gols na Olimpíada de Atlanta, mas fracassou na tentativa de dar a medalha de ouro ao Brasil. Contratado pelo Barcelona em 1996, conquistou de vez o mundo. Foi o eleito o melhor jogador planeta naquele ano, fez 34 gols em 37 partidas na temporada 1996/1997 e foi contratado logo depois pela Inter de Milão.

No período em que defendeu o clube italiano, a rotina de sucesso prosseguiu, mas foi abalada diversas vezes por graves lesões. Foi eleito o melhor jogador do mundo em 1997, faturou o título da Copa da Uefa – a atual Liga Europa –, e ainda conquistou a artilharia do Campeonato Italiano no qual foi vice-campeão.

Assim, chegou à Copa Mundo badalado como um craque indiscutível. Fez quatro gols, com algumas atuações brilhantes, mas parou na final, derrotado pela França de Zinedine Zidane e uma convulsão sofrida na decisão.

Em 1999, uma lesão no joelho afastou Ronaldo dos gramados por cinco meses. Mas o drama só estava começando. O retorno, em partida contra a Lazio, durou apenas dez minutos. Nova lesão, exposta como nunca pelas televisões, e mais 14 meses de afastamento do futebol.

A carreira de Ronaldo estava ameaçada. Felipão, porém, apostou no Fenômeno. E ele superou a descrença e as limitações físicas para fazer história. Oito gols, artilharia e título da Copa do Mundo, disputada na Coreia do Sul e no Japão.

Após o Mundial, Ronaldo trocou a Inter de Milão pelo Real Madrid. Fez mais de 100 gols pela equipe, que vivia sua era de galácticos. O sucesso da marketing do time, que contava com outros astros, como Zidane, Beckham, Figo e Raúl, não se repetiu dentro de campo. e o Fenômeno deixou o clube no fim de 2006 com dois títulos nacionais e um mundial. Meses antes, fracassou na Copa do Mundo, foi bombardeado pelo seu desempenho, mas se tornou o maior artilheiro da história da competição, com 15 gols.

Foi para o Milan, onde ficou claro que as arrancadas estavam apenas na memória, o final da carreira parecia mais próximo e manter o peso era um tormento. Em fevereiro de 2008, sofreu outra grave lesão no joelho. Deixou o futebol europeu, voltou ao Brasil, jurou amor ao Flamengo e assinou com o Corinthians.

Fez gol histórico nos minutos finais de clássico contra o Palmeiras, foi decisivo para as conquistas da Copa do Brasil e do Campeonato Paulista em 2009. No ano seguinte, no centenário corintiano, não conseguir repetir o mesmo desempenho, atrapalhado por lesões e o excesso de peso. Problemas que se agravariam em 2011. Foi considerado o principal vilão da eliminação na fase preliminar da Libertadores e decidiu parar em seguida.

Parou como o principal nome de uma geração que revolucionou o futebol ao aproveitar as ferramentas criadas pela sociedade para expandir o esporte por todo mundo. Ronaldo foi o primeiro grande ícone desse tempo onde todos os seus gols estão guardados na internet e todos os seus feitos estão ao alcance do planeta. Assim, todos puderam ver e reverenciar seu talento, sua superação e sua força. Ronaldo é um fenômeno e um dos grandes da história do futebol mundial. Sorte de quem viu.

 

Leandro Augusto publica vídeos sobre esportes aos sábados no Sete Doses.

Palmeiras (três vezes), Goiás, Santos, Paraná e Cruzeiro (duas vezes) mostraram desde 2005 que a fase preliminar da Libertadores era um mero protocolo para o futebol brasileiro. O fiasco corintiano no dia 2 de fevereiro na Colômbia ressuscitou o modorrento discurso de que “não tem mais bobo no futebol” (que já havia aparecido, verdade seja dita, desde o Mazembe) e pode ter rasgado a folhinha de 2011 no calendário do Parque São Jorge.

O Corinthians é um gigante, como tal, temido e respeitado pelos seus rivais. É impossível negar o quanto é difícil enfrentá-lo em um mata-mata. Ou mesmo encará-lo em boa fase, no Pacaembu lotado. Nem por isso o time deixa de ter suas deficiências e pesadelos, mesmo que transitórios.

Já houve o impressionante jejum de 23 anos sem títulos que Basílio tratou de acabar em uma jogada que durou eternos sete segundos. E a briga perdida dos últimos anos se chama Libertadores.

O especialista em psicologia (ao menos daquela que ultrapassa as vãs divagações de butecos) do Sete Doses se chama André Toso. Mas entro perigosamente na seara para diagnosticar o óbvio: o Corinthians sente a pressão e a responsabilidade de ter que vencer a Libertadores e se apequena quando participa do torneio. Como aconteceu diversas vezes nos 23 anos de jejum.

Os elencos nas nove participações da Libertadores foram, evidentemente, diferentes. Mas quando a equipe entra em campo para jogar, principalmente em casa, o clima é tenso, quase sempre de apreensão. Há festa nas arquibancadas, claro, mas misturado ao temor, e este cenário influencia negativamente no desempenho dos jogadores.

Não à toa muitas eliminações recentes aconteceram com resultados decepcionantes e/ou expressivos dentro de casa, onde o Corinthians é sempre muito forte – derrotas para Grêmio, em 1996, River Plate, em 2003 e 2006, e um empate insosso com o Deportes Tolima, em 2011.

O que impressionou neste ano, porém, foi a precocidade da eliminação. E ainda para um adversário sem expressão, ao contrário de todas as outras vezes. Mas o fato é que a direção se esforçou para que mais uma queda na Libertadores se tornasse em um vexame histórico.

O Corinthians lutou pelo título nacional até a última rodada em 2010, mas se arrastou no segundo turno do último Campeonato Brasileiro. O elenco parecia saturado. E conseguiu piorar para 2011. William, capitão e líder, e Elias, o melhor jogador do time, saíram. E os reforços que foram contratados foram pífios (Fábio Santos e Luis “Cachito” Ramírez saíram da Colômbia com cara de vilões).

Para piorar, a soberba parece ter atrapalhado o Corinthians. (“Não será problema”, disse Ronaldo. “Vamos atropelar o Tolima no Pacaembu”, afirmou Roberto Carlos). O risco cresceu e se tornou realidade com a disputa do primeiro jogo, em São Paulo, marcado pela postura medrosa da equipe, simbolizada por um treinador preocupado apenas em não perder, e o excesso de confiança depositada em jogadores ainda sem personalidade para serem decisivos em momentos importantes, como Jucilei e Dentinho.

Restou desprezar o retrospecto do Tolima como mandante – apenas uma derrota em 2010 – para conquistar a classificação na Colômbia. Mas foi preciso pouco tempo para ter certeza que a missão não seria cumprida.

O Corinthians se apresentou sem um meia de criação e sem padrão de jogo. Ainda tinha um lateral-esquerdo, Fábio Santos, que tropeçava na bola e fazia em campo a função de avenida. Na frente, Dentinho aparecia apenas com firulas e Ronaldo misturava problemas físicos com displicência.

Em casa, o Tolima fez o simples. Se impôs, explorou o lado esquerdo da defesa do Corinthians e apostou na velocidade de Diego Chara e nos passes precisos de Elkin Murillo. Avançou para a fase de grupos da Libertadores e entrou para história do futebol brasileiro, para alegria de quase todos torcedores, afinal o Corinthians é, hoje, o time mais odiado do País (o que comprova a força do time do Parque São Jorge).

Ao Corinthians resta a necessidade de se reformular, superar o turbilhão da queda precoce e acreditar, mesmo que seja improvável nesse momento, que 1999, quando foi eliminado dramaticamente da Libertadores, mas foi campeão brasileiro, pode se repetir. Mas o principal é saber que precisa se preparar muito bem para a sua próxima participação na competição continental porque o time terá que superar os adversários e os próprios fantasmas, que aumentam a cada eliminação, para ser campeão. Há cada ano ficará mais difícil. Mas o Corinthians ainda será campeão da Libertadores.

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Em 1999, o Corinthians conseguiu melhorar o que já era excepcional em 1998. Atual campeão brasileiro, o time, que já contava com o melhor meio-de-campo do País e um dos melhores da história. Mas tratou de reforçar outros setores, que apresentavam deficiências.

Para o comando do ataque, o Corinthians apostou em Luizão e o centroavante retribuiu a confiança com muitos gols, vários deles decisivos, e acabou com o sofrimento de seu torcedor, que precisou muitas vezes acreditar em Mirandinha e Didi.

A contratação para o gol também foi certeira. Dida chegou calado, assumiu a meta corintiana e a transformou em um muro. Discreto em um elenco de craques temperamentais, como Edílson, Marcelinho Carioca e Rincón, pouco apareceu, não ofuscou ninguém, mas foi decisivo em momentos-chave.

Inferior tecnicamente e com uma defesa problemática, o São Paulo conseguiu equilibrar a primeira partida da semifinal do Campeonato Brasileiro com o Corinthians. O eletrizante primeiro tempo terminou empatado por 2 a 2. Brilharam Marcelinho Carioca, Ricardinho e Raí, todos com auxílio luxuosa das defesas oponentes, que pareciam estar em ritmo diferente ao do jogo.

O segundo tempo foi o dos pênaltis. Marcelinho converteu um para o Corinthians. Raí, que já havia feito um golaço no primeiro tempo, e tinha sua carreira marcada por atuações decisivas nas finais dos estaduais de 1991 e 1998 contra o rival, teve oportunidades nos seus pés. Dessa vez, porém, falhou.

Não conseguir superar Dida, notório pegador de pênaltis, duas vezes. Duas defesas do goleiro baiano, que foi substituído depois da segunda, contundido. E saiu aclamado pelo torcedor corintiano, mesmo que tivesse fobia pelos holofotes. Afinal, o seu talento superou as barreiras e reconstruiu a história de um ídolo são-paulino nos confrontos com o Corinthians. Além de manter o time no rumo da história e do seu terceiro título do Brasileirão.

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Quando trocou o Barcelona pelo Flamengo no final de 1994, Romário era o melhor jogador do mundo e acabara de ser o personagem principal da conquista do título da Copa do Mundo dos Estados Unidos pela seleção brasileira. Por isso, essa foi a maior contratação da história do futebol do Brasil.

Romário, porém, não conseguir obter os resultados que se imaginavam quando foi contratado. Conquistou apenas dois títulos estaduais (1996 e 1999) e participou da vitoriosa campanha da Copa Mercosul de 1999, mas já não estava no clube na final do torneio.

Mas o futebol não se faz apenas de galeria de taças. Romário se envolveu em polêmicas, levantou a imagem do Flamengo e colecionou desafetos no mesmo ritmo que marcou gols. Foram 204, que o tornaram o terceiro maior artilheiro da história do time. Mais do que isso, Romário teve atuações brilhantes, que aumentaram a galeria de feitos de um dos maiores jogadores da história do futebol.

Em 1999, Flamengo e Corinthians tinham desempenho medíocre no Torneio Rio São Paulo. Mas o encontro dos dois gigantes, com ares de clássico, sempre mobiliza os clubes. E também seus torcedores e jogadores.

Romário foi ao Pacaembu e fez história. Distribui dribles, passes precisos e gols. Aos seis minutos, fez um dos gols mais antológicos da sua carreira. Com um elástico, passou pelo marcador Amaral e finalizou com a simplicidade que só um gênio como Romário tem.

Ainda haveria tempo para mais um golaço, no segundo tempo, que desencadearia duas reações diferentes do torcedor corintiano. Invasão de campo para protestar contra os seus jogadores e aplausos efusivos a Romário.

O Baixinho deixou o Pacaembu mais uma vez consagrado como o gênio da grande área, um sinônimo para o atacante que melhor soube ocupar espaços e marcar gols nos últimos 30 anos no futebol mundial.

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Quando cinco operários se reuniram na esquina das ruas Cônego Martins e José Paulino, no bairro do Bom Retiro, na cidade de São Paulo, à luz de um lampião, a ideia era criar um time de várzea. A sanha criadora, porém, superou a expectativa inicial e fez surgir clube e torcida únicos na história do futebol brasileiro.

No seu nome, está um pouco da sua história e do rumo que tomou: Sport Club Corinthians Paulista. Nenhum clube é tão paulista quanto o Corinthians e nenhuma equipe tantas vezes faturou o título do Campeonato Paulista: 26.

O 15º, também por ser marcado por uma efeméride, foi um dos mais históricos. Em 1954, ano do quarto centenário da cidade de São Paulo, o Corinthians vivia os seus anos dourados, com craques como Gilmar, Luizinho e Baltazar, dirigidos por Osvaldo Brandão. E a conquista veio, com uma rodada de antecedência, após um empate por 1 a 1 com o Palmeiras.

O título foi muito comemorado, mas seria muito mais se o torcedor corintiano soubesse o que viria pela frente. O Corinthians parou de vencer, mas a torcida não parou de crescer. Foi quando o adjetivo fiel virou substantivo, apelido e nome próprio para o torcedor corintiano.

A Fiel também adotou um outro adjetivo para a sua história: sofredor. Foram anos de sofrimento e de fidelidade posta à prova. E ela sofreu arranhões, quando a torcida obrigou Rivellino, maior jogador da história corintiana, a deixar o clube, mesmo contra a sua própria vontade, amor e desejo de ser campeão pelo clube, depois de perder a final do Campeonato Paulista de 1974.

Foram 22 anos, oito meses e sete dias de uma longa espera. Mas a espera mais agonizante começou aos 36 minutos do segundo tempo entre o gol libertador de Basílio contra a Ponte Preta e o apito final de Dulcídio Wanderley Boschila.

Libertado de novo campeão paulista, o Corinthians passou a luta pela libertação do seu país. Liderados por Sócrates, o clube passou a viver sob a Democracia Corintiana, que decidia pelo voto desde até sobre as contratações do clube, em autogestão. O time conseguiu bons resultados, faturou dois títulos estaduais (1982 e 1983), mas durou pouco. E o Doutor, já com a missão de mudar o time cumprida, foi embora para a Itália, já que a eleição direta para presidente não foi aprovada pelo Congresso Nacional.

O próximo desafio corintiano era conquistar o Brasil. O clube mais paulista do mundo foi a última equipe grande do País a faturar um título nacional. Foi preciso que uma geração de jogadores raçudos (Ronaldo, Márcio, Wilson Mano e Tupãzinho) se unisse ao talento de Neto para que o time faturasse o Campeonato Brasileiro de 1990.

O camisa 10, responsável maior pela conquista, seria mais um a entrar para entrar para a galeria de craques erráticos do clube (Sócrates, Marcelinho Carioca, Ronaldo…). Vindo do Palmeiras, conquistou o seu espaço com cobranças de faltas perfeitas e jogadas mágicas.

A Era Neto terminou em 1993, com a ida do craque para o futebol colombiano, e a Era mais vitoriosa da história começou logo depois, com Marcelinho Carioca. Foram oito título conquistados entre 1995 e 2001, marcados também pelas cobranças de falta e as finalizações e passes precisos do Pé de Anjo.

Campeão nacional pela primeira vez em 1990, o Corinthians tomou gosto e faturou mais seis títulos nacionais em 19 anos. Em 1998 e 1999, sobrou no Brasileirão venceu os dois rivais mineiros nas finais, com um elenco que esbanjava talento, formado por craques, como Gamarra, Vampeta, Rincón, Marcelinho e Edílson.

Não havia mais o que conquistar no Brasil. Faltava o mundo. Não foi possível vencer pelo caminho mais usual, mas o Mundial de Clubes de 2000, organizado pela Fifa no próprio País, permitiu uma chance de ouro, aproveitada com um vitória nos pênaltis sobre o Vasco, no Maracanã, na grande final.

Com Tevez e mais uma parceira firmada por Alberto Dualib, o Corinthians faturou o seu quarto título do Campeonato Brasileiro em 2005, num torneio manchado pela venda de partidas por parte do árbitro Edílson Pereira de Carvalho. Mais importante, porém, é que, naquele momento, o time só tinha menos títulos do Campeonato Brasileiro.

O Corinthians, porém, foi ao fundo do poço pouco depois. Caiu para a Série B e voltou ainda mais fortalecido. No final de 2008, ousou e fez o que parecia impossível. Repatriou Ronaldo e ajudou na recuperação do atacante. O Fenômeno retribuiu com mais uma volta por cima, gols em todos rivais, um título estadual invicto e mais uma conquista do Brasil.

E se nem o mais otimista fundador poderia imaginar que o Corinthians poderia alcançar tantos feitos em 100 anos, ao menos Miguel Bataglia, primeiro presidente do clube, sabia muito bem o que dizia: “O Corinthians vai ser o time do povo e o povo é quem vai fazer o time”.

Inconscientemente ou não, Gilmar, Ronaldo, Dida, Felipe, Idário, Wladimir, Zé Maria, Domingos da Guia, Ditão, Del Debbio, Gamarra, Brandão, Biro-Biro, Vampeta, Rincón, Carbone, Luizinho, Neto, Rivellino, Roberto Belangero, Sócrates, Marcelinho Carioca, Cláudio, Baltazar, Casagrande, Flávio, Viola, Edílson, Ronaldo, Carlitos Tevez, Ronaldo, Osvaldo Brandão e Mano Menezes foram alguns dos responsáveis por fazer o povo corintiano mais feliz nos últimos 100 anos.

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Fernando Macedo publica seu podcast às segundas-feiras para o Sete Doses

Em 2002, o Corinthians teve uma das melhores temporadas da sua história ao faturar os títulos da Copa do Brasil e do Torneio Rio-São Paulo e ser vice-campeão do Brasileirão. E, em um raro momento de euforia, o técnico Carlos Alberto Parreira mostrou sua empolgação com a equipe ao afirmar que o latetal Kleber, o meia Ricardinho e o atacante Gil formavam o melhor setor esquerdo do mundo.

Apesar dos exagero, o lado esquerdo era um dos segredos do sucesso corintiano e foi fator fundamental para a volta de Parreira ao comando da seleção brasileira. E a estrutura do sucesso corintiano se desmanchou um pouco mais com a polêmica ida de Ricardinho para o rival São Paulo.

Mesmo assim, o início da Libertadores foi auspicioso, com a melhor campanha da primeira fase, com 15 pontos em seis jogos, se aproveitando da fragilidade de alguns dos oponentes de seu grupo, como o Fênix, do Uruguai, e o The Strongest, da Bolívia, e das boas fases de Gil, Kleber e também do centroavante Liédson.

Esse sucesso, porém, começou a ruir no Monumental de Nuñez, com a derrota por 2 a 1, de virada, para o River Plate, no primeiro jogo das oitavas de final e a expulsão de Kleber. Ainda havia a volta, em um Morumbi lotado, com um público de 66.666 pagantes.

Liedson ainda fez a sua parte, aos 9 minutos, ao colocar o Corinthians em vantagem. O River Plate, porém, empatou com Demichellis, então o camisa 6 do time argentino, que aproveitou cruzamento perfeito de D’Alessandro. E o time paulista se perdeu. O lateral-esquerdo Roger, hoje na Polônia, com direito a naturalização e passagens pela seleção local, substituiu Kleber. E fez como titular: foi expulso após dar um pontapé em D’Alessandro, então o dono do jogo.

O habilidoso argentino, campeão mundial sub-20 em 2001, continuou liderando o River Plate, que foi soberano no segundo tempo, com mais um gol, de Fuertos em cobrança de pênalti, e uma nova expulsão no Corinthians, dessa vez de Fabinho. E o sonho de conquistar a América foi mais uma vez adiado e deixou o time do Parque São Jorge em crise.

D’Alessandro se juntou aos atacantes Batistuta e Jardel, e o goleiro Marcos como carrascos corintianos na Libertadores. Roger, Kleber e Geninho saíram como vilões da vez e o tal setor esquedo não funcionou como o esperado.

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