O alemão Michael Schumacher dominou a Fórmula 1 entre a metade final da década de 1990 e o começo dos anos 2000 e se aproveitou das regras da categoria e da falta de concorrentes de alto nível para deixar a principal categoria do automobilismo marcada por corridas previsíveis e monótonas. E quase sempre com suas vitórias.

Méritos totais de Schumacher, que contava com estratégias bem desenhadas por Ross Brawn, na Ferrari, mas precisava cumpri-las com precisão para triunfar. Foi assim no GP de Mônaco de 1999, quando o alemão largou da segunda colocação e definiu a corrida logo na primeira curva.

Schumacher sabia ser preciso superar o finlandês Mika Hakkinen logo na largada, diante do potencial do piloto de McLaren, mais rápido durante todo o fim de semana, e da dificuldade que é conseguir ultrapassar nas ruas de Montecarlo, onde é disputada a corrida mais tradicional e opulenta da Fórmula 1.

Hakkinen cometeu um pequeno erro no início ao patinar na largada. Schumacher, sempre atento aos erros de seus oponentes, aproveitou para forçar a ultrapassagem na primeira curva.

Depois, precisou apenas forçar o ritmo, abrir larga vantagem e ver o britânico Eddie Irvine assumir a vice-liderança da prova, completando uma dobradinha da Ferrari. Triunfo especial para Schumacher, que com perfeição aproveitou as oportunidades para vencer Hakkinen, mas também Niki Lauda ao se tornar o maior vencedor da história da escuderia italiana, com 16 triunfos. E ainda viriam muitos outros…

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O início da temporada de 1993 foi a mais turbulenta da relação de Ayrton Senna com a McLaren. Frustrado por ter, pelo segundo ano seguido, um carro inferior ao da Williams, o brasileiro reclamou da equipe e do fornecedor de motor. Além disso, não chegou a um acordo para renovação do seu contrato, o que fazia por corridas, mas tinha um tom meramente teatral.

Foi assim na primeira prova da temporada, o GP da África do Sul, dominado pelo francês Alain Prost. Dias antes do GP do Brasil, evidentemente, Senna firmou novo acordo com a McLaren e garantiu presença em Interlagos. De antemão, sabia que dificilmente conseguiria ser protagonista da prova e da temporada.

Terceiro colocado no treino de classificação, Senna ainda conseguiu ultrapassar o inglês Damon Hill na largada, mas viu Prost abrir vantagem. A situação do brasileiro ainda iria piorar. O filho de Graham Hill deu o troco e assumiu a vice-liderança. E o piloto da McLaren foi punido pela direção de prova, o que lhe custou mais uma posição.

Foi quando o imponderável e a sorte trataram de equilibrar a disputa entre Senna e os pilotos da Williams. Passou a chover em Interlagos e o brasileiro foi rápido para trocar os seus pneus. Prost, por falha de comunicação com a equipe, não teve a mesma agilidade e permaneceu na pista.

Esta demora lhe custou a prova. Christian Fittpaldi rodou, Prost também e bateu no carro do brasileiro. O safety-car já havia entrado na pista, mas o estrago já estava feito e o GP do Brasil tinha novo panorama, com Hill na liderança, seguido por Senna. A chuva diminuiu, a corrida prosseguiu e o brasileiro tinha apenas uma chance para vencer diante da sua torcida.

Hill tinha um carro muito superior, mas iniciou a temporada sob enorme pressão. Carregava a sombra do pai e questionamentos por ter recebido uma chance na principal equipe da Fórmula 1 após apenas duas corridas na Brabham. Além disso, abandonou a prova anterior, na África do Sul.

Assim, Hill não correria riscos para vencer no Brasil. E enfrentaria naturais dificuldades de aquecimento de pneus quando a pista começasse a secar. Por isso, Senna fez o seu pit stop antes e aguardou o momento de atacar o inglês. Quando Hill voltou dos boxes, o brasileiro precisou de apenas duas curvas para fazer a ultrapassagem por dentro e assumir a liderança.

A corrida estava decidida e Senna mostrou que o coadjuvante do quarto título mundial de Prost podia conquistar vitórias impressionantes e memoráveis, que enlouqueceram os torcedores brasileiros, que invadiram a pista para comemorar ao seu lado o seu segundo triunfo em Interlagos.

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O esporte brasileiro é recheado de ídolos e vencedores incontestáveis, como Pelé, Gustavo Kuerten, César Cielo e Emerson Fittpaldi. Nenhum destes, porém, conseguiu ter uma ligação tão estreita com o público e um envolvimento com o País como Ayrton Senna.

Esporte de elite, o automobilismo é completamente inacessível para a grande maioria da população, sem recursos até para comprar ingressos para assistir alguma corrida. Além disso, as principais categorias se concentram no continente europeu, com circuitos, equipes e participantes concentrados no Velho Mundo.

Nem todas essas barreiras impediram que Senna fosse idolatrado pelos brasileiros, que aprenderam a acompanhar a Fórmula 1 com Emerson e, posteriormente, Nélson Piquet. E o piloto conquistou o seu espaço no torcedor com uma série de vitórias, títulos e uma inesquecível comemoração com a bandeira brasileira.

Tanta ligação, porém, demorou a se converter em festa em casa. Senna começou o ano de 1991, o seu oitavo na Fórmula 1, com um bicampeonato (1988 e 1990), já reconhecido pela sua capacidade de conseguir pole positions com facilidade, de vencer na chuva e dominar as provas em Mônaco. Mas ainda lhe faltava algo.

Senna ainda não havia vencido uma corrida no Brasil, com provas marcadas pelo azar ou acidentes tolos. Mesmo assim, após vencer a etapa de abertura, nos Estados Unidos, chegou ao País como favorito, mesmo diante da concorrência de Nigel Mansell e Alain Prost, em Interlagos – uma pista que havia ajudado com palpites em uma recente reforma.

O favoritismo começou a virar realidade com a conquista da pole position, após disputa feroz com Mansell e Ricardo Patrese. E o sonho do triunfo em casa ficou muito próximo de acontecer quando Mansell, principal perseguidor de Senna, abandonou após rodar no S de Interlagos.

Mas ao contrário do que se imaginava, o abandono de Mansell coincidiu com um início de drama para o brasileiro, que passou a ter problemas no seu câmbio e passou as voltas finais apenas com a sexta marcha. O esforço para manter o carro na pista, sem usar a redução das marchas para diminuir a velocidade, era muito grande e Patrese, então o segundo colocado, tirava quatro segundos por volta.

O sonho, porém, precisava se realizar e Senna conseguiu terminar o GP do Brasil como vencedor. E a vitória provocou uma catarse no público e no piloto, que parou o carro na reta oposta de Interlagos para recolher uma bandeira, mas teve que seguir no carro de segurança para os boxes, tal era a sua estafa, vista também no pódio, onde mal conseguiu levantar a taça de vencedor

Isso, porém, pouco importava. O que valia mesmo era a realização do desejo de vencer em casa, na sua cidade, diante do seu povo, que mantém até hoje uma completa idolatria ao piloto. E, melhor, com ares de novela, outra paixão brasileira.

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A temporada 1994 foi uma das piores e mais traumáticas da história da Fórmula 1. Acidentes graves, morte de Roland Ratzenbeg e Ayrton Senna e muitas trapaças marcaram o ano. Quase tudo causado por mudanças radicais nas regras da categoria, com a proibição de dispositivos eletrônicos, como o controle de tração. A categoria mais desenvolvida do automobilismo dava um passo para trás.

Schumacher dominou o campeonato. Venceu seis das primeiras sete provas e parecia que seu primeiro título mundial seria conquistado com facilidade. As tramóias da Benneton, porém, começaram a aparecer. Schumacher foi desqualificado em duas provas e uma perigosa estratégia da equipe de Flavio Briatore foi descoberta no GP da Alemanha.

Em Hockenheim, o reabastecimento de Jos Verstappen terminou em  incêndio. A Benneton retirou um dispositivo de segurança do bocal da mangueira, com o objetivo de acelerar o reabastecimento e ganhar segundos preciosos em relação aos adversários.

Assim, por causas dessas confusões, o campeonato, que já tinha o seu dono definido, chegou ao circuito de rua de Adelaide com dois postulantes: Schumacher, com 92 pontos, e Damon Hill, com 91.

O alemão precisava terminar a prova na frente do seu adversário. Mas uma batida no muro nos treinos livres de sexta-feira mostrou que a tarefa não era fácil. Naquele momento, Schumacher era um mero mortal, morrendo de medo de deixar o seu primeiro título mundial escorrer pelas mãos, mas que, mesmo assim, conseguiu se manter na frente do rival até a 36ª volta.

Schumacher bateu no muro e voltou para a pista com o carro sem condições de prosseguir na prova. O título estava, portanto, nas mãos de Hill que, inocente, tentou ultrapassar o adversário. Acabou sendo abalroado por Dick Vigarista. Digo, Schumacher.

O título ficou com Schumacher, mas a fama de personagem do desenho da Corrida Maluca permaneceu por muitos anos. E até hoje é relembrado pelos detratores do heptacampeão mundial de Fórmula 1, responsável pelo “gran finale” de uma temporada deprimente.

A corrida, como a vida (para sorte de Schumacher), prosseguiu. E foi vencida por Nigel Mansell, em uma corrida em que esbanjou agressividade e cometeu muitos erros, como em toda duas carreira. Foi o seu último triunfo como piloto de Fórmula 1,  mas só é lembrado por tarados em corridas, assim como a aposentadoria de Michele Alboreto e o abandono da categoria pela Lotus, ambos ocorridos no GP da Austrália. Essa velha guarda merecia ter tido um final mais honroso.

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Depois de ver a Williams dominar a temporada 1987 da Fórmula 1, a McLaren deu o troco em grande estilo no ano seguinte. O MP 4-4 não foi apenas o melhor carro de 1988, mas um dos melhores da história da principal categoria do automobilismo. Para isso, também pesou o desempenho de Alain Prost e Ayrton Senna, que realizaram uma disputa renhida pelo título mundial. Nas 16 provas da temporada, o francês e o brasileiro conquistaram 15 poles e 15 vitórias. Uma dupla que se completava por seus estilos antagônicos.

Após três anos na Lotus, onde seu ímpeto rendeu várias poles, algumas vitórias e diversos abandonos, Senna foi contratado pela McLaren onde teria ao seu lado, em 1988, Alain Prost, um piloto muito mais experiente, com resultados brilhantes (dois títulos mundiais pela escuderia britânica) e uma frieza impressionante.

E o início da temporada não foi fácil para Senna. Nas quatro primeiras provas, Prost venceu três (Mônaco e Jacarepaguá, entre elas) contra apenas um triunfo do brasileiro em San Marino. Assim, o francês parecia se consolidar como principal favorito ao título. Com 18 pontos de desvantagem, Senna reagiu com seis vitórias nas sete corridas seguintes.

Porém, o campeonato ainda sofreria nova reviravolta. Depois de Senna e Prost abandonarem em Monza, o francês conseguiu três vitórias. Mesmo assim, por conta do sistema de descartes dos piores resultados, apenas o brasileiro chegou ao GP do Japão com chances de ser campeão.

Pole (foram 13 em 1988), melhor volta e vitória com mais de dez segundos de vantagem para o segundo colocado. Os dados revelam o triunfo que deu ao piloto brasileiro o primeiro título mundial, mas não contam como aconteceu o surgimento do mito Senna por conta de seu desempenho em Suzuka.

Tudo começou com um erro na largada. O motor de sua McLaren “morreu” pouco antes do sinal verde. E o pole caiu para a 14ª colocação, deixando Prost com uma larga vantagem. Foi quando Senna deu início a uma espetacular recuperação. Foram seis ultrapassagens apenas na primeira volta. Na terceira, ele era o quarto, atrás apenas de Prost, Capelli e Berger.

Uma leve chuva atingiu o circuito de Suzuka. Era a sorte ajudando Senna, já que era sob essas condições que ele preferia correr, principalmente quando estava em desvantagem. E Capelli abandonou, após chegar a assumir a liderança da prova, quando o brasileiro já havia ultrapassado Berger. A corrida e o campeonato estavam novamente entre dois pilotos.

Na 27ª volta, Senna aproveitou a dificuldade de Prost com o tráfego de retardatários para assumir a liderança do GP do Japão. Nas 24 voltas seguintes, consolidou sua liderança, abriu vantagem e venceu, conquistando o título de 1988 e mostrando que a agressividade pode vencer a regularidade, mesmo em um campeonato tão equilibrado e com apenas dois protagonistas.

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RL: Não há como não ficar nervoso, não há como esperar. Ou melhor. Não é esperar, é desejar que a Ferrari administre a corrida dos dois para que não haja nenhum erro, para que os dois chegarem bem próximos, só que o Rubinho na frente.  Causaria um suspense em todo mundo.

CM: Eles cruzam agora e vão pra última volta. Eles vão pra última volta. Rubens Barrichello na frente, Michael Schumacher em segundo. Rubens Barrichello vai caminhando pra aquela que pode ser a sua segunda vitória. Pra deixar o domingo do Dia das Mães mais bonito, mais colorido, mais festejado, tendo esse toque de vitória esportiva no domingo. Pra Dona Ideli, a mãe do Barrichello. Dona Ideli, feliz da vida, tá vendo o filho ganhar a segunda. Vai ter música de vitória? A Ferrari não vai atrapalhar o nosso domingo? Rubens Barrichello, que começou em 1993. Rubens Barrichello, que tem 29 anos. Rubens Barrichello, que tá completando hoje 202 corridas. 202 corridas no fim de semana, de cinco poles. Das 14 mães que foram pra corrida, a Dona Ideli, a do Barrichello é a única que não foi, ela não tá aí perto pra comemorar essa que vai ser a segunda vitória. Vem Barrichello, encosta o Schumacher. Eles vão pra última curva. Foi na última curva no ano passado.

Hoje não, hoje não, hoje não! Hoje, sim. Hoje, sim? É inacreditável. Olha, é inacreditável. Não há nenhuma necessidade da Ferrari fazer isso. Se eu tivesse apostado todo o meu dinheiro, eu teria perdido, porque não há nenhuma necessidade de a Ferrari fazer isso. Na última, no último metro. Não é possível. Não precisa disso. O Schumacher não vai comemorar a vitória, né Schumacher? O autódromo está vaiando a decisão da Ferrari, o mundo inteiro vai criticar a decisão da Ferrari. O Michael Schumacher não precisa disso, o Michael Schumacher tá com tudo pra ser pentacampeão do mundo. Antes, muito antes do que normalmente se ganha um campeonato. E a Ferrari não precisava ter tomado essa decisão. É só pra criar um clima dentro da equipe, não é possível.

RL: Como o grande campeão que é, provavelmente vai se tornar o maior piloto da história da Fórmula 1, o Schumacher não deveria nem aceitar.

CM: Pois é!

RL: Não deveria aceitar. Deveria frear antes de cruzar a linha de chegada, que é uma vitória que ele não tem de comemorar, não podia a Ferrari dentro dessas circunstâncias fazer isso, de jeito nenhum. A torcida da Ferrari deveria se retirar do autódromo. E não é por ser brasileiro.

CM: Claro que não! Claro que não! É lógico que pra gente a frustração é muito maior. Dá uma ouvida. Vê se você já ouviu isso em autódromo, ó! Precisa dizer mais nada, né?

RL: Não precisa dizer mais nada. Eu acho que foi uma derrota histórica da Ferrari. Uma derrota histórica da Ferrari que jamais será esquecida.

CM: É isso mesmo, é vergonhoso. De uma equipe tão bonita, é a única equipe de automobilismo que tem torcida no mundo inteiro, que tem camisa, que tem bandeira. Onde você vai, aqui no Brasil, lá na Malásia, na Austrália, na Europa, você vê gente com a camisa da Ferrari, vibrando e torcendo, você vê bandeiras. É um time de futebol, vai, pra você fazer uma comparação com o esporte mais popular. Pra isso?

RL: Vaiada dessa forma, Cléber, num país que fala língua alemã, num país vizinho do país do Schumacher. Um país que teve Niki Lauda seu maior ídolo e um dos maiores ídolos da Ferrari. Olha aí o Montoya fazendo questão de cumprimentar o Barrichello. E que depois do Lauda também teve o Berger, também austríaco, como um herói da Ferrari. O Schumacher não poderia ter ganho a corrida.

CM: Também tem essa!

RL: Deliberadamente ele não poderia ter ganho a corrida.

CM: Também tem essa. O Schumacher dentro da equipe, que seria fácil para ele dizer assim, ó “não, ganha o Rubinho. Ganha o Barrichello”. Olha a vaia da torcida!

RL: Olha, eu não arrisquei, hein?

CM: Não, essa aí eu perdi sozinho. Eu perdi sozinho essa. Olha a vaia, olha a vaia.

RL: Olha a cara do Ralf!

CM: É, é, é… Olha o sinal da torcida. Essa é a imagem mais frustrante do esporte. O esporte, a gente curte o esporte, a gente vai a um autódromo, a um estádio pra ver grandes ídolos, pra ver grande desempenho de quem tá lá dentro, fazendo o seu trabalho. A gente vai lá pra ver, no automobilismo, um ultrapassar o outro, o melhor vencer. Lógico, tem a sorte, a falta de sorte também. Mas a gente vai lá, pra ver um jogo, pra ver uma corrida. E aí a gente vai falar assim, ó “quem for o melhor, vai ganhar”.  Tirando o imponderável, a gente vai ver o talento do esportista. E ninguém tem mais talento hoje no automobilismo do que o Michael Schumacher. Ele não precisa disso. O autódromo grita o nome do Barrichello e vaia a Ferrari. E todo resto passa a ser resto.  É o problema do Villeneuve no final… Você viu a cara do Ralf Schumacher? A cara do Ralf Schumacher, que não gosta do Barrichello, que não se dá com o Barrichelo e é irmão do Michael Schumacher! O Ralf fez cara de não acredito, de chocho.

RL: O Ralf estava envergonhado, como se dissesse pro irmão assim “puxa, fizeram isso com você”.

CM: Exatamente, fizeram isso com o Schumacher!

RL: Sujaram a carreira do Schumacher e a Ferrari, que vai ser a grande campeã do mundo de novo, vai ser a grande perdedora da história da Fórmula 1. É a grande derrota da história da Ferrari.

CM: Um piloto que tem 58 vitórias com essa, não precisava. O vitorioso do domingo é o Rubens Barrichello. Quem ganhou a corrida foi o Rubens Barrichello. A grande derrotada do domingo é a Ferrari.

RL: Olha o que o Schumacher fez!

CM: Olha o Schumacher, ó! O Schumacher coloca o Barrichello no primeiro lugar do pódio. Vamos ouvir o hino nacional.

CM = Cléber Machado

RL = Reginaldo Leme

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Na História do Brasil, o dia 21 de abril de 1985 ficou marcado pela morte de Tancredo Neves, pelo fim de uma agonia de mais de um mês, pelo luto por conta da perda do homem que marcava o retorno a uma democracia desejada por tantos anos, mas que chegou um pouco desajeitada. Mas, afinal, um marco independentemente de avaliações políticas mais profundas. Uma comoção em um funeral que só seria repetida nove anos depois.

Enquanto isso, em Portugal, terra de um retorno bem mais interessante ao sistema democrático – a Revolução dos Cravos –, um brasileiro naquele momento muito menos conhecido do que o nosso “anjo barroco” demonstrava uma postura muito mais ousada no circuito de Estoril.

Em sua segunda corrida na direção de um dos carros de linda pintura negra e dourada da Lotus, Ayrton Senna apresentou características que o consagraria perante o torcedor como um dos principais ídolos esportivos de todos os tempos do Brasil e subverteu a razão de que uma atuação perfeita de um piloto precisa ter várias ultrapassagens.

No sábado, Senna fez o que se acostumaria a realizar nos próximos anos: uma volta lançada sem erros e sua primeira pole position (depois, viriam mais 64). No dia da prova, apenas a 18.ª de sua carreira, nem a necessidade de trocar o motor após o warm-up afetaria sua confiança e desempenho no GP de Portugal.

A intensa chuva que caiu sob o circuito de Estoril não atrapalhou Senna e até o ajudaria a conquistar sua primeira vitória na Fórmula 1 com um domínio poucas vezes visto. Para Senna parecia não haver chuva. Enquanto adversários como Lauda, Piquet e Rosberg, enfrentavam dificuldades para manter o carro na pista, ele parecia guiar em terreno seco.

E, claro, a chuva fazia suas vítimas. O francês Alain Prost, já consagrado, rodaria em plena reta por conta de uma aquaplanagem. O fantasma de Mônaco/1984 estava exorcizado. Ao menos para Senna. Com a volta mais rápida, mais de um minuto vantagem sobre Alboreto (segundo colocado), e ao menos uma volta dada em todos os outros sobreviventes do dilúvio em Estoril.

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