Em um clique fica o registro, em um poema fica a canção. Para além da saudade e do visual ali permanente trago algumas músicas que focam amores, paisagens, meras imagens capturadas de uma máquina fotográfica.

Fernando Macedo publica seu podcast às segundas-feiras para o Sete Doses

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Após um fim de semana de grandes emoções e uma semana tão agitada quanto, que apertou o trabalho com Copa do Mundo, resolvi fazer uma geral no meu Reader e indicar alguns itens aqui para vocês.

Foquei nos sites que têm como visual o ponto principal – os com bons textos ficam para uma próxima. Visite, assine, siga, porque vale a pena:

IdeaFixa: Revista online de artes gráficas realmente foda. Ilustrações, vídeos, tattoos, fotografias, webdesign. O site da publicação serve como uma bela fonte de referências para quem é do meio e para quem admira.

Seguindo a linha da IdeaFixa, só que com uma revista impressa – uma bela revista, vendida em bancas e livrarias – o site da Zupi também reúne diversos belos trabalhos que servem como inspiração ou só para matar o tempo admirando belas obras. Vale a visita.

Outra dica – visual também, por que não? – é o Blog de Brinquedo, que traz as mais diferentes novidades do mundo dos … Brinquedos. E tem desde aqueles brinquedos de criança quanto brinquedos e colecionáveis de dezenas de milhares de dólares. Veja com um babador.

Também deixe o babador perto na hora de visitar o Cameragun, blog do Daigo Oliva, o melhor fotógrafo de show que eu já vi. Simples assim. Só que ele não fotografa só show. No blog estão fotos de outras coberturas que ele faz por aí.

E para quem se empolgar e quiser fotografar melhor, a dica é o BlackBox, fotolog coletivo que tem dicas de vários fotógrafos sobre suas especialidades. A cada dia, dicas de um tema específico. São instruções simples que farão a diferença na hora de retratar o churrascão na casa da vó ou a festinha da firma.

Thiago Kaczuroski, o Kazu, escreve às quartas-feiras no Sete Doses e tem pensado muito ultimamente nos filminhos que devem passar na cabeça de quem está numa situação limite.

Aos setemeses do setedoses seteletras bonitas para acompanhar a cobertura de fotos da festa de ontem.

Fernando Macedo publica seu podcast às segundas-feiras para o Sete Doses.

A Cracolândia parece ter voltado à moda. Todo dia os telejornais passam alguma reportagem sobre a região, histórias de gente que não aguenta mais os traficantes na porta de suas casas, as diversas mudanças dos pontos de tráfico e por aí vai. Jornais e portais preparam especiais. Mas por que uma região tão podre gera tanto interesse?

Para quem não é de São Paulo, a Cracolândia é o nome que recebe uma região no centro velho da cidade, que foi dominada por traficantes e usuários de crack. Começoou perto da Estação da Luz e foi mudando de local conforme foi chegando a repressão policial. (O engraçado é que em 80% das reportagens vemos que há sempre um carro de polícia por perto, sem fazer nada).

E como uma situação tão negativa e com gente tão degradada gera imagens tão bonitas?

Aqui vão alguns exemplos de lindas imagens feitas com usuários de crack, talvez a droga mais poderosa e a que fode mais rápido com a vida do usuário.

O fotógrafo Marco Gomes publicou recentemente um excelente ensaio sobre a região, como mostra a foto abaixo e as que estão em seu Flickr.

É impressionante como usar o preto-e-branco dá ainda mais dramaticidade para a cena. Mais fotos sobre a Cracolândia podem ser vistas no grupo onde estão as fotos (provavelmente tiradas no mesmo rolê).

Infelizmente este não é um problema só brasileiro. Uma breve busca revela lindas imagens sobre o mesmo tema em outros lugares do mundo. É só clicar para ver as fotos.

Tem um trafica escondendo um cachimbo na Filadélfia;

Tem uma bonitinha dando uma pipada em uma propaganda de centro de reabilitação;

Tem um tiozinho em uma linda imagem também com seu cachimbo artesanal;

Uma senhora – na que eu achei a imagem mais bonita destas aqui listadas – exibindo seus cachimbos em Vancouver, no Canadá;

E até um close da pedra sendo acendida.

E para fechar o triste post com belas imagens, vai o link para um ensaio realizado em Nova York entre os anos 60 e 90 e que mostra o impacto das drogas nos guetos (o crack ainda estava chegando por lá). Este ensaio, ao lado do ensaio do Marco Gomes, foram os que inspiraram a coluna desta semana. Aproveitem as imagens e crianças, não tentem isto em casa.

Thiago Kaczuroski, o Kazu, escreve às quartas-feiras no Sete Doses.

Hoje eu começo aqui neste espaço um especial em algumas partes, tratando de um dos meus assuntos preferidos quando se trata de imagem: Lomografia.

Em linhas gerais, lomografia é a arte de fazer fotos usando equipamento de baixa qualidade, que muitas vezes têm “defeitos” se comparados aos usados em fotografia profissional, mas que justamente por isso, deixam cada imagem com uma cara única e imprevisível.

Então, para começo de conversa, segue abaixo uma matéria que fiz para o mega portal laranja em que trabalho, mas que também está indicado para a leitura de iniciantes no site da Sociedade Lomográfica Brasileira (aliás, quem se interessas, dá uma lida nesse artigo inteiro. É meio um “tudo o que eu sempre quis saber e não tinha para quem perguntar”. Aqui, diferente da matéria publicada, ilustro com minhas fotos.

Lomografia: a arte de fotografar com baixa tecnologia

Enquanto as empresas de equipamentos fotográficos batalham para ver quem lança câmeras com mais recursos, existe um grupo – cada vez mais crescente – que promove uma volta ao passado, fotografando com filme em câmeras que muitas vezes parecem de brinquedo: são os amantes da lomografia.

O nome da prática vem da empresa soviética de equipamentos eletrônicos LOMO. No início dos anos 90, dois amigos austríacos estavam em Praga de férias e, sem câmeras fotográficas, resolveram comprar duas máquinas baratas. O modelo escolhido foi a LC-A, da LOMO, que se tornou o símbolo da lomografia.

De volta a Viena, os dois amigos, impressionados com o resultado das fotos – cores vivas, com ar de “antiguidade” e as famosas “vinhetas” (bordas escurecidas nos quatro cantos da foto) passaram a comprar e vender as câmeras lomo para os amigos. Estava fundada a Lomographic Society International.

Rapidamente a mania se espalhou por diversos lugares do mundo, inclusive o Brasil. As câmeras passaram a ser vendidas para os países ocidentais pela LSI. Câmeras antigas foram “ressuscitadas” por fotógrafos amadores e a Internet se tornou o principal meio de troca de informações sobre câmeras, técnicas de fotografia e revelação e claro, para expor as fotos.

O grande diferencial das câmeras lomográficas é a baixa tecnologia. Corpo e lentes de plástico, poucos – ou nenhum – ajustes manuais e às vezes alguns “defeitos”, como vãos que permitem a entrada de luz, são alguns dos “charmes”.

Entre as câmeras favoritas dos lómógrafos estão modelos tanto da LOMO quanto de outras empresas. Entre as vendidas pela LSI, a LC-A é objeto de desejo de 9 entre 10 amantes da lomografia. A alta procura fez também com que seu preço fosse supervalorizado. Na loja da LSI, o pacote básico custa US$ 250. Já no eBay – maior site de leilão dos EUA, uma LC-A varia entre US$ 100 a US$ 200. No Brasil, a LC-A é artigo raro, disputado em site de leilão e fóruns. Seus valores normalmente ultrapassam a casa dos R$ 500 (preço equivalente a uma câmera compacta digital de alta definição).

Entre outros modelos oferecidos pela LSI estão a Fisheye (com lente olho de peixe, que dá um formato arredondado à imagem), a Smena, a ColorSplash (com flashs coloridos), as SuperSampler e Action Sampler (com 4 lentes, que criam uma interessante montagem de imagens na mesma foto) e as de médio formato Holga e Diana F, que usam filme de 120mm.

Outros modelos como as séries XA, Trip e Pen, da Olympus, câmeras da também soviética Zenit, compactas da Minolta, Yashica e Cosina, entre outras também estão entre as favoritas dos lomógrafos.


Lomógrafos brasileiros
O Brasil também tem sua Sociedade Lomográfica, que conta com um site (www.lomography.com.br) com dicas, artigos e perfis de fotógrafos. Larissa Ribeiro, uma das redatoras do site, conta que ele é aberto a contribuições. “Hoje em dia só temos três redatores, eu, o Julio França e Damião Santana. Quem quiser contribuir mais assiduamente, postando notícias, artigos ou fotos é só entrar em contato que adicionamos como redator”.

Ela conta que entre suas câmeras favoritas estão a Holga, a LC-A e a Diana. “Acho também a Olympus XA2 uma ótima câmera. É compacta e fácil de usar como a LC-A, tem resultados parecidos mas é bem mais barata, você compra aqui no Brasil mesmo, essa a LSI não vende. Recomendo a Holga pra quem não tem medo de experimentar e, principalmente, quem não tem medo de se frustrar e de errar mil vezes até acertar”.

Os lomógrafos brasileiros também se reúnem em fóruns (como no Orkut e no site de fotos Flickr) e no grupo de discussão LomoBR, que conta atualmente com mais de 300 membros.


Fotos profissionais
A fotógrafa Caroline Bittencourt costuma usar suas câmeras lomo inclusive para fins profissionais. “Eu acho que cada câmera/filme/filtro tem sua personalidade e busco harmonizar com o porquê da foto – quem, o que, e para quem estou fotografando…Por isso não vejo diferenças que poderiam limitar profissionalmente o uso da lomo”.

Dona dos modelos LC-A, Holga, Colorsplash, Supersampler, Action Sampler e uma Lubitel, Caroline já publicou em jornais e revistas fotos feitas com suas câmeras – como a do quadrinhista Rafael Grampá para a revista Época SP e da banda Kassin+2, publicada em vários veículos.

Mandamentos
A LSI tem uma série de “mandamentos” que não se levam muito a sério: 1. Leve a sua Lomo onde você for; 2. Fotografe durante todo o tempo, em qualquer hora, seja dia ou noite; 3. A lomografia não interfere na sua vida, ela é parte dela; 4. Aproxime-se o máximo que puder de seu objeto de desejo lomográfico; 5. Não pense; 6. Seja rápido; 7. Você não precisa saber antes o que fotografou…; 8. … nem depois; 9. Fotografe sem olhar no visor e por final, 10. Não se preocupe com as regras.


A intenção é experimentar, buscar novos ângulos para fotografar e aguardar o resultado das revelações.

Thiago Kaczuroski, o Kazu, escreve às quartas-feiras no Sete Doses.

Neste mês de abril, a conceituada revista Elle francesa resolveu ousar, e colocou nas bancas sua edição mais recente, que traz diversas capas, todas elas com algo em comum: estrelas do cinema ou das passarelas sem retoques digitais, sem o famosos Photoshop.

A tendência de mostrar astros “ao natural” não é nova. Brad Pitt foi recentemente capa da revista W, em uma foto que mostra o ator de 45 anos com todo o “castigo” que a idade lhe aplicou.

Na Elle, a estonteante Monica Belluci, imortalizada em nossas mentes assim:

é vista assim, como uma ainda assim gostosíssima jovem senhora de 44 anos, porém sem o ar brilhante e jovial sempre aplicado – artificialmente – nas fotos de catálogos e peças publicitárias.

A modelo Eva Herzigová, esta com 36, mostra que o bronzeado já não é mais tão dourado.

O uso ou não do Photoshop em revistas é uma discussão quase sem fim. Algumas revistas, como a Playboy brasileira, tem a audácia de dizer que não usa, nem nunca usou qualquer tipo de retoque nas suas modelos (alguém se lembra do caso Scheila Carvalho sem ânus naquele famoso ensaio de fevereiro de 1998?), o que é uma sonora mentira.

A França estuda uma lei que obriga toda publicação a colocar um aviso para os leitores toda fez que algum tipo de manipulação digital for usada em imagens.

Pessoalmente, sou a favor de qualquer uso bem feito de tecnologia, na maioria dos setores da vida prática. Só que excessos muitas vezes são percebidos pelo público, e acabam se tornando engraçados, como os exemplos publicados no divertidíssimo blog Photoshop Disasters.

Algumas vezes é até difícil achar o erro, mas quando se percebe, é inacreditável pensar que algo assim foi aprovado em uma campanha publicitário. Termino a coluna desta semana com alguns destes exemplos.

Esta última, a garota sem umbigo, na – vejam só – Playboy Brasil.

Thiago Kaczuroski, o Kazu, escreve às quartas-feiras no Sete Doses

Fotografar shows é uma arte – das que eu mais aprecio. Achar uma imagem no caótico início de uma apresentação musical, muitas vezes com o relógio correndo contra (já que o padrão é que os artistas deixem-se fotografar apenas nas três primeiras músicas) é uma tarefa para poucos.

Então, ver fotos de show que eu fui, ou não fui, se tornou um dos meus passatempos favoritos. Um dos mestres da parada, considerado por muitos como O fotógrafo do rock, é Bob Gruen. Além das fotos clássicas, de Lennon, Kiss, Sex Pistols, Ramones, o cara é um puta fotógrafo de palco, como podemos ver abaixo:

Não tenho idade para ter visto o Clash ao vivo – infelizmente. Mas vendo esta foto você não consegue perceber nitidamente o que estava acontecendo?

Gruen é autor do obrigatório livro Rockers, lançado no Brasil pela Cosac Naify – que acabou gerando uma exposição que trouxe Gruen ao Brasil há uns 2 anos. Ele andou até em alguns shows na Rua Augusta, em SP, fotografando algumas bandas, material que nunca vi.

No Brasil sou muito fã do Daigo Oliva. Envolvido até o caroço no punk, é o responsável, junto com Mateus Mondini, pelo Zine e livro Fodido e Xerocado, com fotos de show de punk e hardcore. Mas o cara não vive só nesse universo, e consegue produzir imagens inacreditáveis de shows como o do R.E.M.

http://www.flickr.com/photos/daigooliva/3022646961/

Ou o do Radiohead, realizado este fim de semana em SP.

http://www.flickr.com/photos/daigooliva/3379513936/

[Por conta das fotos dele serem publicadas em um G1gante portal de internet, as fotos não ficam liberadas para eu colocar aqui. Mas uma visita ao Flickr do cara vai valer – e muito – seus minutos.]

Ainda sobre o show do Radiohead – e dica do próprio Daigo ao ser elogiado em uma lista de discussão – as fotos de Mastrangelo Reino são irretocáveis. Quem esteve lá e viu o show, certamente arrepiará ao ver essas imagens.

A fotografia tem aquela função de nos fazer recordar de momentos, cheiros, pessoas e, neste caso, sons. Quantas vezes, ao abrir fotos de bandas que eu gosto mas que nem imagino se um dia verei ao vivo, vem à cabeça uma trila sonora, e quase movimento da imagem.

Para fechar – meio constrangido de colocar fotos minhas depois de pedradas como as daí de cima – mostro algumas das que fiz, e que considero minhas favoritas.