Agora você pode conhecer museus de diversos países sem sair de casa, graças ao nosso querido Google. Lembram quando um grande jornal de São Paulo lançou uma coleção de livros com obras de arte, vendendo a ideia como a possibilidade de visitar museus sem precisar viajar? O Google levou a coisa a outro patamar com o lançamento do Art Project.

 

Usando a mesma ferramenta do Google Street View, agora é possível fazer um tour por 17 museus de 11 cidades, com mais de mil obras em alta definição. O vídeo abaixo mostra como funciona:

 

Além disso, 17 obras estão em “superdefinição”, com detalhes que não são vistos a olho nu.

 

O Google Art Project, obviamente, não substitui a experiência da visita ao museu, mas possibilita a estudantes, artistas e interessados em cultura em geral uma chance de conhecer obras de maneira mais interativa que nas páginas de um livro.

 

Thiago Kaczuroski, o Kazu, escreve às quartas-feiras no Sete Doses

A web está cheia de redes sociais (como já falei aqui). Mas uma que chamou minha atenção e que tenho usado com certa frequência é o Busk, uma rede social de notícias.

 

Com interface bem simples, o Busk funciona assim: você tem amigos, faz buscas de assuntos que te interessam e pode salvar matérias para ler depois. E “coleciona” elas de acordo com rótulos que você escolhe. E pode também compartilhar assuntos e/ou reportagens que achou interessantes com seus amigos.

É meio instintivamente o que a gente faz há séculos, só que de um jeito virtual. Quando alguém te conta, por exemplo, um fato engraçado que aconteceu em uma viagem de praia, você a guarda na cabeça em uma “pasta” chamada histórias engraçadas, dentro de uma pasta chamada praia, dentro de uma pasta grande chamada histórias de viagens. Aí quando está em uma roda onde contam uma história engraçada, você faz uma busca e acaba encontrando essa. Aí decide se compartilha ou não com os outros.

 

No canal do Busk no Youtube você vê (com umas caras conhecidas) como ele funciona. Confira aqui.

 

Eu uso e recomendo. Pode ficar meu amigo aqui. É ótimo para ir colecionando aquelas coisas que não vai dar tempo de ler no trabalho, mas que você pode consultar com calma quando chegar em casa.

 

 

Thiago Kaczuroski, o Kazu, escreve às quartas-feiras no Sete Doses

 

 

No último post do ano, minha dica é para te entreter naqueles momentos de descanso nas férias coletivas, ou então naquelas horinhas de bobeira em frente ao computador.

 

Eu provavelmente já falei por aqui do Steam. Em linhas gerais, ele é um programa/loja virtual que vende jogos bem baratos para computador. E vira e mexe eles ainda fazem promoções, como a que está acontecendo aqui até o dia 2 de janeiro.

 

Não sei qual é o esquema deles, mas jogos tanto novos quanto antigos são vendidos por lá com preços bem abaixo da média (muito por conta de ser um comércio apenas virtual: você paga e recebe o link para o download, eliminando capinhas, caixinhas, frete etc.) E essa promoção de fim de ano está de fazer gamers arrancarem os cabelos. Todo dia (o sistema vira por volta das 16h) novos jogos entram em oferta, em alguns casos com 90% de desconto.

 

Se o seu computador for bonzão, dá pra comprar os principais lançamentos pelo preço de um jogo pirata. Se como o meu, o seu PC é mais antiguinho, há uma série de boas opções por menos de US$ 5, US$ 10, que com certeza serão boas compras.

 

Com o Steam, é só fazer o login que seus jogos podem ser baixados em outro computador, de graça.

 

Outro esquema que os fãs de games devem ficar de olho é o Humble Bundle. De tempos em tempos eles disponibilizam um pacote de 5 jogos para você pagar o quanto quiser, a partir de 1 centavo. É só colocar o e-mail lá que eles avisam quando tem uma nova promoção rolando.

 

Mas se você achar complicado essa coisa de baixar e instalar, fazer conta no Steam e gastar uns trocados, é só clicar aqui pra ver uma boa seleção com joguinhos online pra jogar de graça ou então clicar aqui e se deliciar com jogos do Atari para brincar direto do navegador.

 

Thiago Kaczuroski, o Kazu, escreve às quartas-feiras no Sete Doses e deseja a todos um 2011 melhor que 2010.

 

Gays agredidos na Avenida Paulista, nordestinos ofendidos no Twitter e a presença maciça do debate religioso e conservador nas eleições presidências. Estes três fatores resumem bem um ano em que as ideias mais retrogradas e criminosas da cabeça humana tiveram expressão em veículos de comunicação modernos, que se configuram como armas importantes a favor da liberdade e da quebra da hipocrisia da realidade.

No fechar do ano, o Wikileaks se tornou famoso, escancarando o que qualquer pessoa bem informada já sabia: as instituições políticas e religiosas são embustes construídos na mentira com o objetivo de manter quem manda no poder e fazer quem obedece pensar menos. É assim desde os tempos das cavernas, mas agora temos pessoas obcecadas pela verdade e pela liberdade para tentar desnudar essa farsa em que nossos bisavós, nossos avós e nossos pais viveram. A máscara antiga do mundo começa a cair. Basta saber por qual ela será substituída. Esperemos que pela mais iconoclasta possível.

2010 foi o ano que condensou rapidamente toda a revolução que a Internet prometia, deixando claro que muitas coisas ainda estão por vir. Ao mesmo tempo, com essas mudanças bruscas, as cabeças mais conservadoras e burras do planeta começaram a se eriçar. Apesar de toda a impressão de que o mundo de hoje é moderno, o pensamento humano apresenta características que se alteram muito lentamente. O medo do novo, o medo do diferente e o medo de não se enquadrar assombram velhos conservadores e jovens inseguros e com baixa auto-estima.

O preconceito contra gays e nordestinos, bizarramente presente em 2010, mostra bem o ódio interno projetado em figuras da sociedade historicamente perseguidas. Os jovens responsáveis por esses ataques não conseguem se enquadrar em uma realidade diluída, em que todos possuem singularidades, mas ninguém é melhor do que ninguém. Como um rapaz que nasceu em Higienópolis, estudou nos colégios mais caros e foi criado por pais ricos e prepotentes pode se equiparar a um jovem de origem pobre que possui uma bolsa do governo para fazer faculdade? Como um menino-macho, levado pelo tio milionário ao puteiro mais caro da cidade para perder a virgindade, pode aceitar que existam homens que se relacionam com outros homens?

Jovens como esses, ao olharem para um gay ou um nordestino, sentem ódio. Por quê? Pelo fato de enxergarem nessas pessoas aspectos reais que eles não aceitam neles mesmos. Todo mundo tem um lado feminino e masculino. Todo mundo tem alguma ligação transgeracional com nordestinos. Mas devido a uma educação fechada, de regras rígidas e verdades absolutas, esses jovens não suportam olhar para um homem afeminado e se identificarem com ele. É tão insuportável que eles optam pela violência. Na verdade, estão atacando uma identificação deles mesmos. O playboy que bate em um homossexual está batendo nele mesmo. Está dando uma surra na própria parte afeminada de sua personalidade. Ele não aguenta enxergar no outro um aspecto que ele julga inaceitável em si mesmo. É um superego monstruoso, que o ensinou a repelir qualquer identificação com “esse tipo de gente”.

O discurso que gera essa espécie de animal é sempre do “outro” e se configura na infância. Primeiro, o exemplo sempre vem de casa: o discurso dos pais gruda na cabeça da criança. É aí que o superego começa a se formar, reforçado pela educação ultrapassada da escola e pela visão preconceituosa e  arcaica dos grandes meios de comunicação. O superego se transforma, assim, em um monstro pronto para atacar qualquer desejo ou identificação que se choque com o discurso do “outro”.

O cérebro humano se desenvolve a passos bem mais lentos que a tecnologia e a Internet. Por ser uma praça virtual em que tudo é aceito, a web começa a desnudar o ser humano e deve acelerar o desenvolvimento do pensamento. Quanto mais absurda parece a realidade, mais próximos de fato estamos dela. As pessoas começam a perceber, com a ajuda deste mundo virtual, que a fantasia tem um poder muito maior sobre o homem do que a realidade. O ser humano vive fora da realidade, sempre viveu. Tudo sempre foi postiço, sempre foi pose. Todos nós sempre carregamos uma série de máscaras, que começam a cair uma por uma.

O riquinho de Higienópolis começa a perceber que seu status e sua pose são fantasiosos e que o bolsista com roupas surradas sentado ao seu lado na faculdade é igual a ele, de carne e osso, e pode sim ter as mesmas chances. Mas esse jovem, que a vida toda foi valorizado por esses aspectos fantasiosos de riqueza e privilégio, não suporta a realidade. Não suporta a sua condição humana. Seu superego entra  em parafuso, sedento por manter as aparências fantasiosas de que dinheiro, um bairro chique e uma pele branca constituem a personalidade e a identidade de seu ego. Ao se perceber humano, mortal, sem nada de especial, o homem se perde em si mesmo, seu ego fica em pedaços. Toda a fantasia que servia para dar sentido a sua vida cai por terra e ele logo tem uma sensação de morte. Construir uma personalidade falsa, calcada no discurso do “outro”, é quase que um instinto de sobrevivência. Aprender a viver sem ser escravo dela é a missão mais difícil que se pode ter.

Em 2010, apesar dos absurdos, elegemos uma mulher presidente, a Internet ganhou espaço e importância e passamos a conhecer oficialmente os segredos podres por trás das instituições que regem o mundo. É uma chance de que a política e a religião como as conhecemos caíam por terra e dêem lugar para outras preocupações, como a colaboração, o compartilhamento e a espiritualidade – aspectos bem diferentes da proposta controladora da Igreja e do Estado. Vivemos na melhor época da história da humanidade. Parece que estamos em meio ao caos, mas na verdade estamos no meio de uma revolução sem armas. Nesta revolução, descobrimos todas as nossas fraquezas, derrubamos todas as máscaras. Tudo o que conhecemos até então é posto abaixo e uma nova realidade, um pouco menos fantasiosa, pode ser construída. Não sei desde quando sou otimista, mas a Internet sempre me pareceu a melhor coisa que já nos aconteceu. Ela dilui a realidade, a torna mais absurda. Faz com que nos sintamos perdidos, sem identificação, sem identidade. Mas é por uma boa causa. É um processo de amadurecimento que nunca aconteceu tão rápido. É como se a humanidade estivesse passando pela adolescência rumo a uma vida adulta. É preciso se perder para se encontrar e talvez seja este o processo em andamento. Claro que esta é a visão otimista, portanto a mais difícil de ser concretizada. Mesmo assim, prefiro acreditar nela.

André Toso escreve aos domingos para o Sete Doses

No início do mês, quando eu estava de molho, foi lançado o navegador RockMelt, uma opção pronta para quem quer integração com diversos perfis de redes sociais. Um pouco atrasado, resolvi testar esta semana. E estou adorando.

 

 

Uma vantagem é que o RockMelt usa o mesmo código do Chrome, o navegador do Google – que era meu navegador padrão há mais de ano. Com isso, a navegação e o uso de extensões continuou igual. Outra maravilha é que você tem nas laterais seu perfil no Facebook, sua timeline no Twitter, e quais outras desejar, podendo compartilhar o conteúdo que você está vendo com apenas um clique.

 

O vídeo abaixo mostra como ele funciona:

 

O RockMelt ainda tem uns bugzinhos, mas nada muito grave. Achei a melhor opção atual e tenho usado várias funções. Para quem fica o dia inteiro com o Facebook, e-mail, Twitter aberto – meu caso – é uma mão na roda.

 

Quem quiser experimentar, só colocar um comentário. Tenho alguns convites aqui.

 

Thiago Kaczuroski, o Kazu, escreve às quartas-feiras no Sete Doses

Um dos maiores desafios de escrever regularmente em um espaço como este é ter ideias. Parece que uma semana é bastante, mas quando você vê já chegou o dia de produzir o novo post. Imagino que deva ser bem pior para os colegas de Sete Doses que escrevem ficção, afinal, ter uma grande ideia de um grande texto toda semana não é tarefa fácil.

Vivemos uma época em que a tecnologia, a economia, as relações internacionais já avançaram a passos largos. Nunca foi tão fácil se comunicar. O que faltam são ideias.

Vira e mexe vemos projetos que valorizam e premiam boas ideias. Já citei por aqui o KickStarter, site para quem tem uma boa ideia conseguir financiamento para realizá-la. Alguns bancos apostam em programas que premiam atitudes sustentáveis, novos negócios, gente que consegue novas saídas para velhos problemas.

Nas pesquisas buscando assuntos para este espaço, vi há algumas semanas duas notícias que hoje cabem aqui. Dois lados da moeda.

De um lado, o NY Times anuncia que está sem ideias. No início do mês, um dos mais respeitados e conceituados jornais do mundo encerrou as atividades de um de seus mais divertidos produtos derivados: o blog Idea of The Day.

O espaço era um apanhado de coisas interessantes que os editores do jornal viam diariamente pela internet a fora. A justificativa é que “os recursos andam escassos e a as possibilidades são muitas e vamos investir em outras frentes”. É claro que a história de estar sem ideias é uma brincadeira, mas a pegadinha linguística não deixa de ser engraçada.

Por outro lado, acontece em novembro uma das mais interessantes iniciativas acadêmicas que eu já vi no Brasil. A FIAP conseguiu uma parceria para trazer ao País a Singularity University.

O curso tem duração de cinco dias e é a primeira vez que é realizado fora dos EUA. Criado pela NASA (sim, aquela dos astronautas), o programa visa discutir modelos de negócios para os problemas do mundo. Parece simples, mas também parece dificílimo.

O curso custa absurdos 8 mil reais, mas acredito que deva ser um interessantíssimo exercício com um dos programas de ensino mais modernos do mundo, para exercitar algo que a grande maioria de nós não faz durante anos da faculdade (e os depois dela também). Larry Page, o cara que criou o Google, afirmou outro dia que, caso ainda fosse estudante, era esse o curso que ele gostaria de fazer. Concordo com ele.

Thiago Kaczuroski, o Kazu, escreve às quartas-feiras no Sete Doses e apoia as novas regras ortográficas da língua portuguesa, mas acha que ‘idéias’ era bem mais bonito.

 

Apesar de não ser um grande entendedor do assunto, gosto de ler sobre ciência. É claro que a grande maioria dos assuntos eu não vi na escola, mas tem coisa que dá para acompanhar e muito o que aprender.

 

 

Sei que devem existir, mas não conheço muitos blogs bons brasileiros sobre assuntos científicos. Algumas das revistas é possível ler online, mas “ciências para as massas” é mais fácil de encontrar em sites e blogs de fora.

Um dos mais legais é o blog dedicado a assuntos científicos da revista Wired. Vale a pena checar seu conteúdo: há coisas de cair o queixo, como essa galeria de imagens de microscópio.

Outros dois bacanas são o Pharyngula, que já chegou a ser um dos mais visitados do mundo e o Blog Around the Clock. Ambos tem atualizações constantes.

A revista Nature também tem uma compilação gigante de blogs científicos. Se você gosta do assunto vale dar uma fuçada.

E entre os brasileiros, um que leio com freqüência é o do Marcelo Leite, assim como todo o site do caderno.

 

Fugindo do assunto, pero no mucho, um dos blogs mais legais e que vale a pena ler é o This Day in Tech. Ele fala sobre fatos importantes da ciência e tecnologia que aconteceram neste mesmo dia anos atrás. Hoje, por exemplo: no dia 13 de outubro de 1884 foi resolvida a crise sobre o meridiano de Greenwich. Sabia que o Brasil se absteve do voto sobre a questão, assim como a França, como uma ação diplomática?

 

 

 

Thiago Kaczuroski, o Kazu, escreve às quartas-feiras no Sete Doses.