Sem pedir licença, hoje eu bebo um pouco no estilo Lex de setedosear. Na semana passada, tive a chance de passar todo o fim de semana no festival En Vivo, que rolou em Getafe – região metropolitana de Madri. Foi a primeira edição e, de primeira, já levou uma excelente amostra (70 grupos) de bandas importantes para a história recente da Espanha. Essa vasta selecao de grupos me deu uma bela impressao de como anda a musica jovem espanhola, ainda que esta minha primeira playlist seja dos grupos mais mainstream.

E anda muito bem, gracias. Ao longo dos três dias, ouvi (e gostei muito) um hard rock cantado em espanhol com o pé enterrado no blues e soul a um flamenco mesclado com heavy metal e letras de protesto. Passei até pelo palco que menos era minha praia (eram quatro, com apresentações sucessivas), de hip-hop, onde pude ouvir uma versão interessante de Cantaloup Island. A experiencia de ir ao festival eu conto em outra oportunidade. 

Bom, apesar da salada, deu para encontrar muitas músicas com personalidade, com as quais eu fiz uma amostrinha nessa playlist de vídeos:

O Celtas Cortos apareceu com outro nome e pretensão. Amigos chamaram outros amigos e, juntos, criaram o Colectivo Eurofolk, em Valladolid. Com um prêmio atras do outro, eles resolveram assumir que a banda boa era mesmo essa que nasceu de uma brincadeira e a nomearam de um jeito que entregasse de cara as influências. Foi assim que o rock celta entrou para a história da cena espanhola, por proporcionar sucessos como este 20 de abril. A música está no album Cuéntame un cuento, que vendeu mais de 300 mil cópias.

Canteca de Macao – Así es la vida

 Como cravou a boa definição do guia impresso do festival, o Canteca de Macao nao faz nada puro. Nem rock, nem ska, nem soul, nem salsa, nem flamenco, nem punk, nem reggae, nem nada. Mas faz tudo isso ao mesmo tempo. É um rescaldo bem feito de músicos de rua, com tudo o que de bom e ruim isso traz (como performances desnecessárias de malabares). Nesta seleção vamos de Así es la vida, letra e melodias bem sacadas. Com oito anos de estrada, os caras andam recebendo críticas dos seus fãs mais fervorosos por terem abandonado a veia independente para se incorporarem à Warner – ainda que, frise-se, mantenham os downloads gratuito dos álbuns no site oficial.

Fito & Fitipaldis – Whisky Barato

Fito (ex-Platero y Tú) é uma instituição nacional. O cara tem mais de 20 anos de whisky barato que toma desde então ao vivo em grandes e pequenos palcos ao longo dos animados shows. Aqui ele faz uma ode meio bluesera meio country aos tragos e às botas que já tomou. É de praxe ele terminar os shows bêbado, embora a guitarra e a voz de anão com gripe se mantenham corretas e eficientes. Ele foi o cabeca (careca) do festival, com direito a uma versão em cartoon na abertura extremamente bem feita. Peço desculpas pelo não-clip, mas infelizmente são raras as boas gravações dos caras.

O’Funk’Illo – En el campito 

O grupo encarna a falta de vergonha andaluza, seja no groove despretensioso que praticam ou no idioma distinto ao espanhol em que o vocal se expressa. O nome vem de um trocadilho com uma expressao tipica de Sevilha: Oju, quillo (de chiquillo). Nesta vemos um bass funk bem caracteristico das outras musicas deles, com uma harmonia vocal mais bem trabalhada. A banda nasceu em Sevilha, deu um tempo recentemente, mas voltou para comemorar os 10 anos de bons servicos prestados. Como eles mesmo dizem, isso e puro funky andaluz embrutecio. A linha de baixo e de Pepe Bao.

Albertucho – Me gustan más los perros que los hombres 

Outro sevillano, Albertucho costuma fazer troca da sua falta de habilidade para cantar. Ele realmente não é nenhum tenor, mas isso não compromete as boas letras e instrumental bem decente. Neste quase punk-melodico ele conta com a participação do Fernando Madina, do Reincidentes – que junto ao Jorge Martínez (Los Ilegales) outro mal educado da música espanhola, categorias a que pertencem aqueles que gostam de expremer limão na ferida. E que pingue limão no olho quem um dia nao pensou que gosta mais de cachorros do que de gente.

Ojos de Brujo – Na en la nevera 

Essa é para quem mora sozinho e vez ou outra encara e sofre com uma geladeira bem vazia. A letra faz alusão ao começo de carreira do Ojos de Brujo, cuja trajetória é bem parecida à do Canteca de Macao. Era época em que faltava tudo, menos coisa para fumar. Na en la nevera é inaugurada com um vocal meio sinistro seguido de uma percussão ritualística, com flamenco, rumba e uma loucura em aceleracao que nos shows se tornam uma catarse geral. Outro não-clip, infelizmente.

Isla Cantaloupe – DAclub

Banda revelacão da última edição do concurso de talentos Puro Cuatro, de uma cadeia de televisão famosa, o DAclub mescla sete talentos de um bairro obreiro de Barcelona. Apesar do vocalista no estilo MC, quem brilha mesmo é o guitarrista e tambem cantor Albert Arnau “Neirak”. Nesta versão de Herbie Hancock, percebe-se o talento nos metais e cordas. Mas, é, tem o hip-hop…e o clip, bem, como foi comum nesta seleção…

Outro dia brinco mais de Lex, provavelmente com a mão dele, para comentar sobre algumas bandas de indie rock.

Ricardo Torres escreve às terças-feiras para o Sete Doses.

 

Para as crianças, jovens e adultos. O complexo mundo de Sebastião Rodrigues Maia. Em suas canções, seus gestos e dilemas. Um grande artista aqui, no Podcast do Grito – Especial da praia!

Fernando Macedo publica seu podcast às segundas-feiras para o Sete Doses

As dicas dessa semana são para quem gosta de música.

A mais legal delas é o The SixtyOne, uma espécie de “jogo” online para descobrir novas bandas. Ele traz aleatoriamente músicas na íntegra de artistas desconhecidos. Aí é possível dizer se você gosta ou não, indicar para os amigos e fazer download. Não gostou, só passar pra frente.

Nada muito diferente do que você poderia fazer navegando aleatoriamente no MySpace, por exemplo, só que tudo no mesmo lugar, a um clique apenas de distância. Depois de algumas vezes acaba repetindo algumas das músicas, mas ainda assim dá pra perder uns bons minutos ouvindo sons que você não conhecia.

E o Radiohead mostrou mais uma vez que está ligado que o mercado da música não é mais o mesmo. Fãs de Praga gravaram um show do grupo usando câmeras em vários lugares pela plateia (assim como os Beastie Boys fizeram naquele DVD de 2006). Sabendo disso, a banda liberou o áudio da mesa de som para que o DVD ficasse profissa. Não bastasse isso, ainda colocou de graça para ser baixado em diversos formatos neste site aqui (como o Nine Inch Nails fez com aqueles projetos colaborativos deles). Vale o download.

E pra fechar, a Billboard está com um prêmio para os melhores aplicativos para iPod/iPad/iPhone relacionados a música. Tem para os que gostam de música, para os que fazem música, aplicativos de artistas, entre outros. São 6 categorias, confere lá.

Thiago Kaczuroski, o Kazu, escreve às quartas-feiras no Sete Doses

Esta semana a banda canadense Arcade Fire lançou o clipe de seu novo single We Used To Wait. Essa seria uma notícia praticamente irrelevante caso o clipe não fosse um interessante experimento interativo.

O vídeo, feito em HTML 5 (linguagem de programação que resolve diversos problemas de compatibilidade, sendo, inclusive, uma alternativa ao Flash) conta com uma excelente sacada: ele pergunta o endereço de onde você cresceu… e o personagem do clipe parece estar correndo pela sua rua.

Isso acontece porque ele cruza a informação fornecida com o Google Maps e o Google Street View. Assim, consegue imagens aéreas e imagens da rua em si. É claro que a maioria dos endereços brasileiros ainda não receberam a visita do carro fotógrafo do Google. Mas mesmo colocando um endereço genérico, como “Sao Paulo, Brazil”, dá pra sacar ele correndo com a vista aérea. Teste você mesmo aqui!

Testei com o endereço que fiquei em Los Angeles e é de chorar. Ainda que capenga, o recurso dá uma ideia do que ainda pode vir por aí. Já pensou se, usando a mesma técnica, você consiga escolher, por exemplo, os lugares de cenas de um filme?

O experimento de Chris Milk não é o primeiro a usar estes recursos. Recentemente a deliciosa cantora Lissie lançou o clipe de Cuckoo em seu site. Ele consegue localizar sua posição e o clipe tem o clima de onde você está naquele momento.

E mesmo o Arcade Fire apostou na interactividade no Single Neon Bible, de seu álbum anterior. Você pode brincar com ele aqui.

Thiago Kaczuroski, o Kazu, escreve às quartas-feiras no Sete Doses e é orgulhoso por fazer parte de uma nação de 30 milhões que hoje comemora o primeiro centenário. Vai Corinthians!

Um passeio histórico na obra dos Novos Baianos. Ô meu fio, venha cá escutar essa epopeia no Podcast do Grito, venha!

Fernando Macedo publica seu podcast às segundas-feiras para o Sete Doses

Um torresmo e um chorinho. A história dos melhores choros em apresentação no podcast do grito.

Fernando Macedo publica seu podcast às segundas-feiras para o Sete Doses

 Musica  pt-02

Renato Rocha é apaixonado por música e publica suas fotos às quartas-feiras no Sete Doses