George Turklebaum

Foram apenas 17 segundos de hesitação.

Com aquele pouco tempo passado, o homem não sabia, o futuro seria um presente. Seu subconsciente se servia das breves pausas em uma vida mecanizada como brechas na carapaça onde estava aprisionado. Não se tratava de mera hipnose, e sim de uma reza silenciosa.

Mas o consciente não era plenamente inconsciente. O muito possível se tornaria o pouco viável mais uma vez. Como foi amanhã e da mesma maneira que ontem será.

Naqueles raros momentos de absorção, os gestos autômatos se repetiam. O homem mantinha os seus olhos vidrados, abertos porém fechados, enquanto metodicamente pressionava a ponta do lápis contra a mesa de escritório à sua frente. As palmas da mão estavam unidas.

Foram apenas 17 estocadas até que a grafite se partisse, com um barulho amargurado. A realidade, ao contrário, acabou refeita de imediato. O homem piscou. Amém.

Checou, então, o horário no canto inferior da tela do seu computador. Eram 17h17 no instante em que ele parara de trabalhar. Continuavam sendo 17h17 quando retomou seus afazeres. E, assim, o tempo e o homem permaneceram. Estagnados.

Helder Júnior hesita às quintas-feiras para o Sete Doses

José Carlos

Em frente ao espelho, passou o pente fino entre os poucos cabelos brancos que lhe restavam. Com calma, repartiu-os ao meio, abriu a torneira e acertou as pontas desgrenhadas com a mão úmida de água. Fechou os botões da camisa, observou seu rosto magro e beijou a corrente de ouro que repousava em seu peito.

Maria Helena

Fechou a torneira do chuveiro e, ainda dentro do boxe, colocou o braço para fora e puxou a toalha branca pendurada no gabinete. Enxugou-se sem pressa. Primeiro os cabelos curtos e brancos, depois o rosto cansado e, por fim, o restante do corpo. Vestiu-se com uma calça de moletom cinza e uma blusa de alças cor da pele. Tateou embaixo da cama e encontrou as sandálias de couro que procurava.

José Carlos

Saiu do banheiro e dirigiu-se até a sala. Ao procurar sua carteira, deparou-se mais uma vez com a foto de sua mulher exposta no porta-retratos de plástico em cima da escrivaninha. Olhou para a imagem, seus olhos marejaram e o aperto no peito foi o mesmo que sentira na noite em que sua esposa falecera. Já se completavam quinze anos de ausência. Abriu a porta e saiu em direção ao supermercado.

Maria Helena

O vapor do banheiro ainda não se dissipara quando ela retornou para apanhar as roupas intimas que havia esquecido em cima do vaso sanitário. Jogou-as no cesto de roupas sujas e retornou para o seu quarto. Era o único cômodo de uma casa minúscula que comprara com seus investimentos de toda uma vida. Era mais do que suficiente, já que jamais casara ou dividira o teto com alguém. Vivia sem ser vista. E sua morte, que lentamente se aproximava, não seria notada. Abriu a porta e saiu em direção ao supermercado.

José Carlos

Estava na fila do caixa à espera de sua vez quando percebeu a dificuldade de uma senhora para pagar sua conta. Notou que ela não tinha dinheiro suficiente e foi cavalheiro ao intervir:

– A senhora precisa de ajuda com a conta?

Maria Helena

Colocou os óculos e, com as mãos enrugadas, abriu o pequeno zíper do porta-moeda em busca de alguns centavos para pagar a conta do supermercado. A atendente insistia que faltavam 80 centavos para o débito ser liquidado. Nervosa, não conseguia encontrar mais do que 35 centavos na bolsinha. De repente, ouviu uma gentil pergunta de um senhor que estava logo atrás na fila. Virou-se, olhou para os olhos dele e sentiu uma gratidão inexplicável:

– Desculpe, está faltando 50 centavos, o senhor pode me emprestar?

José Carlos

Ao ouvir a voz daquela senhora, lembrou-se imediatamente de sua esposa. Era inevitável. O som da voz era absolutamente o mesmo, apesar das características físicas não se assemelharem em quesito algum. Procurou na carteira e encontrou uma única moeda de 50 centavos. Sorriu ao entregar a moeda e questionou, em tom informal, se naquela noite ela iria cozinhar para a família.

Maria Helena

Pagou a conta do supermercado com a ajuda daquele senhor e percebeu de pronto a ligação ocasionada por olhares e palavras. Respondeu a pergunta emendando outra:

– Vou jantar sozinha, como faço todas as noites. E o senhor?

José Carlos

A frase da senhora lhe pareceu, de primeira, muito ousada. Ficou um tempo em silêncio e resolveu que deveria ir até o final daquele diálogo sem criar resistências. Pensou – lembrando-se do dia em que conheceu sua falecida esposa – que sonhos de uma noite marcam mais do que séculos de realidade:

– Eu também, janto todo o dia sozinho. Há 15 anos…

Maria Helena

Olhou novamente nos olhos daquele senhor e percebeu um marejar eterno de lágrimas nas pálpebras envelhecidas de seu rosto. Pensou sobre a loucura que estava por cometer, mas constatou que o infortúnio de passar pela vida em branco poderia ser corrigido a qualquer momento antes do prenúncio fatal de sua morte – sabia que só depois do fim é que não existiria mais retorno. Após 70 anos de indiferença, sua hora havia chegado.

– Jantemos juntos, então, oras. Reunimos o que o senhor comprou com o que eu comprei e teremos uma noite diferente de todas as outras…

José Carlos

Foi inevitável para ele pensar em outra coisa que não em sua esposa. Lembrou-se do último jantar que tiveram juntos e julgou aquela situação decisiva. O que responder? Refletiu e pensou que a vida é busca e aquele era o momento de se reencontrar. Como qualquer ser humano, valorizava o existir conforme os passos lentos da vida indicavam o abismo inevitável do desaparecer.

– Tudo bem. Vamos pra minha casa?

Maria Helena

O sorriso escapou-lhe quase como um arroto fora de hora. Percebeu ali a chance de enfim encontrar-se com alguém. Sabia que era aquele o homem destinado a lhe fazer feliz. Na premência da morte encontrava a vida que nunca fora vista. Afobada, quase desesperada de excitação e ansiosa pelo destino que lhe batia a porta, disparou sem pensar ou raciocinar:

– Depois do jantar, quer morrer em paz comigo?

André Toso escreve aos domingos para o Sete Doses

Ontem eu irei parar o tempo.

 

Helder Júnior, às quintas-feiras para o Sete Doses

Preferência nacional(*) “Olhem aí, a turma do balacobaco!”, apontou uma gorda senhora que passava pelo saguão do Aeroporto de Congonhas. Uma multidão estava ali rodeando duas televisões de plasma, que transmitiam a partida entre Brasil e Gana, válida pela Copa do Mundo de 2006. “Ninguém trabalha, não? É o país do balacobaco, mesmo!”, indignou-se, aos gritos, a mulher, sem muita razão. Foram muitos os brasileiros que não abandonaram os seus serviços nesta terça-feira. A maioria de má vontade, é verdade, mas eles trabalharam.

Os metrôs não podem parar. Trinta minutos antes de a partida começar na Alemanha, os trens carregaram os últimos apressados brasileiros que estavam dispensados do trabalho. Ficaram lotados até pouco além de meio-dia. Depois, nem as moscas fizeram companhia para seguranças e operadores. “Vou ser informado por rádio pelo CCO [Centro de Controle Operacional] quando sair algum gol”, conformou-se o responsável pelo percurso da linha verde de São Paulo, da Vila Madalena à Imigrantes.

Funcionário do Metrô há 24 anos, o condutor já se acostumou à situação. Sofre mais quando trabalha no Ano Novo do que durante os jogos da seleção brasileira. Nesta terça-feira, após 50 minutos guiando um trem, ele ainda teria a chance de assistir ao início do segundo tempo do jogo. Seu destino seria uma sala na estação Imigrantes, onde uma televisão de 29 polegadas o aguardava.

“Quebrada”, indicava um aviso pendurado na TV da estação Ana Rosa, quando a partida ainda não havia começado. Será que nem ali os operadores de trem poderiam torcer? “É só uma brincadeira para não deixar ninguém com vontade antes da hora. Ela está funcionando”, divertiu-se o supervisor do local. Brincadeira de mau gosto para quem ainda vai trabalhar, ameaçou esbravejar alguém, enquanto milhões de outros brasileiros se divertiam em bares, restaurantes ou reunidos no telão armado no Vale do Anhangabaú.

Mais desertas do que o metrô, ficaram as ruas de São Paulo. “Não há nada melhor do que dirigir sem trânsito. Essa é uma oportunidade única, que só acontece de quatro em quatro anos”, comemorou o motorista de ônibus João Batista Lopes, com o veículo estacionado no Terminal Paraíso. O cobrador contestou. “Sou louco por futebol. Na hora de fazer a escala para trabalhar, tinham que colocar esses caras que não gostam”, enfezou-se.

A poucos metros dali, o Hospital do Coração já preparava o auditório do segundo andar para uma festa. Um telão, duas televisões menores e cerca de 200 funcionários, entre médicos, enfermeiros, cozinheiros e faxineiros, agruparam-se no lugar. Nem todos podiam ficar lá. Mas, vez ou outra, quando tinham uma chance, os demais espiavam o jogo pela fresta da porta. Muitos dos cardíacos internados não gozaram da mesma sorte. Estavam proibidos de sentir fortes emoções.

“Haja coração”, anunciou o famoso narrador da TV. A bola rolou. Atrasado, um cirurgião se acomodou no fundo do auditório. “Tomara que esse celular não toque agora. Acho melhor desligar”, comentou com um colega. Não demorou nem cinco minutos para o telefone começar a perturbá-lo. O médico saiu, atendeu o paciente e voltou. Por pouco tempo. “P… que o pariu! De novo!”, berrou.

Retornou para assistir ao primeiro gol da seleção brasileira. Comemorou bastante antes que a paciência se esgotasse com um terceiro telefonema. “C… !!!”, indignou-se. O cirurgião saiu e não voltou mais. Para alegria de uma faxineira, que ocupou o assento vago no auditório.

Do Hospital, no Paraíso, ao Cemitério da Consolação, todos os brasileiros vibraram ao ver Ronaldo driblar o goleiro de Gana, Kingson, e fazer 1 a 0 para a seleção de Carlos Alberto Parreira. O operador do metrô recebeu o aviso pelo rádio e comemorou solitário, o motorista e o cobrador do ônibus se animaram com os rojões vindos das ruas e até mesmo alguns coveiros que acompanhavam a partida em uma pequena sala com televisão, em frente a um sepultamento, romperam o silêncio. O enterro foi atrapalhado pelos gritos intensos de gol, deixando claramente atônita a família do falecido.

Um dos três coveiros que não puderam se unir aos demais reclamou. “Perdi o início do jogo. Espero que eu não tenha que enterrar mais ninguém até o final do segundo tempo”, chiou. Não houve quem atrapalhasse os funcionários do Cemitério da Consolação depois daquele funeral. Apenas uma barraquinha insistiu em vender flores – somente uma durante toda partida – diante do cemitério.

Intervalo. Em frente ao Hospital do Coração, seu Carlos também se recusou a fechar sua banca de jornais, que até então havia vendido uma só revista: de corte e costura. “Não sou brasileiro. Nasci na Bahia”, explicou. “Não acompanho a seleção desde que o Zagallo vendeu a Copa de 1998 para a França. Mas eu sei que está 2 a 0 porque me falaram”, continuou, dando a segunda justificativa com a mesma seriedade que apresentou a primeira.

No centro de São Paulo, garis e seguranças também sorriam com os gols marcados pela criticada dupla de frente do Brasil. “Não posso parar, mas quando passo na frente de um bar dou uma demoradinha e vejo os lances”, revelou a gari Benedita Correa, na Rua Barão de Itapetininga. O segurança Amauri Pinheiro tinha outro artifício. “Percebo o resultado pelos rojões. TV que é bom, nada”, lamentou, frustrado pela decisão do chefe de desligar os televisores no horário da partida em Dortmund.

Já alguns funcionários do Aeroporto de Congonhas nem ao menos ganharam o privilégio de saber da vitória parcial brasileira. “Está 1 a 0, né? Ouvi o pessoal gritar na hora do gol”, comentou um rapaz que trabalhava a contragosto no check-in. Na verdade, Adriano já marcara o segundo gol da seleção brasileira. E havia alguns minutos. “Não tem nenhum lugar onde eu possa ver o jogo?”, interrompeu um senhor que se preparava para viajar. O rapaz apontou para o saguão, com as televisões de plasma a poucos metros de distância. Ele só poderia ir até lá às 14 horas, quando se encerrava seu expediente e também a partida.

O senhor passou pelas lojas do aeroporto. Uma delas vendia acessórios da seleção brasileira e revezava as suas funcionárias nos dois tempos da partida. Aquela que estava de folga recebia permissão para ir até as TVs de plasma. A outra se contentava com um rádio. Lá do saguão, a comemoração pela entrada do meia Juninho Pernambucano na equipe confundiu novamente o rapaz do check-in, assim como as vaias para Ricardinho o desanimaram.

Zé Roberto marcou o terceiro gol para o Brasil, e o operador do metrô, o motorista e o cobrador, os médicos e os coveiros vibraram pela última vez. A partida terminou sob os gritos de “hexacampeão”. O expediente também acabava, e os que trabalhararam poderiam enfim ir para casa. Agora, seria a vez de eles acompanharem a reprise ou os melhores momentos do jogo que ocorrera ao meio-dia. Atrasados ou não, eram todos da “turma do balacobaco”.

(*) Reportagem publicada na Gazeta Esportiva.Net no dia 27 de junho de 2006.

Helder Júnior escreve às quintas-feiras para o Sete Doses

Clique aqui para fazer o download em mp3.

Se o tempo falasse

Tempo que percorre a vida
Percorre o sentimento
Tempo que para ao amanhecer
E redobra no fazer do dia

Que se faça por rimar o tempo
Retratar a lembrança do feliz momento
Que os segundos se refizeram

Em palavras! Em porções!


Fernando Macedo publica seu podcast às segundas-feiras para o Sete Doses. Hoje, excepcionalmente, do Hospital Paulistano acompanhando a melhora de seu pai

Era um pequeno relógio redondo, com fina pulseira de couro e largos números dourados. Ema havia ganhado o objeto há sete anos, como presente de aniversário de seu falecido pai, e agora o usava como subterfúgio no velório do namorado. Para desviar o olhar dos mais de vinte presentes (poderiam ser muito mais; ou menos – estava atordoada e jamais observara o salão como um todo), ela permanecia arqueada, quase com o queixo nos seios, e mantinha a visão fixa no trilhar dos ponteiros. Seus ouvidos concentravam-se no “tic-tac” e isolavam murmúrios de choro. O demorado passar do tempo era seu inimigo naquela manhã; o perfeccionismo maquinal dos segundos, minutos e horas, seu companheiro.

"A Persistência da Memória" - Salvador Dali

09h16. Um braço pálido, magro e sem pêlos esticara-se para acordar Ema. Ela se levantou da cama rapidamente, antes mesmo que a mão gelada (conforme imaginara) do genro a tocasse no ombro. O pai de seu namorado viera anunciar a morte do filho, com as pálpebras inchadas e um abraço pouco acolhedor. Foi o primeiro e inesperado sentimento de aversão de Ema, no dia em que a leucemia enfim derrotara a pessoa com quem compartilhara seus últimos nove anos de vida. Uma notícia esperada havia tempos.

09h57. A necessidade de solidão não foi maior do que a obrigação social. Quando Ema chegara desacompanhada ao velório, o corpo sem vida do namorado já repousava em um caixão florido, porém igualmente repulsivo à cama de hospital onde agonizara nas últimas semanas. Pessoas mais tristes e velhas do que ele o cercavam. Para Ema, qualquer uma delas era mais merecedora de um túmulo. Afastou o pensamento com um rápido olhar para o relógio redondo.

09h58. O rosto do namorado conversava um brilho além da maquiagem e um sorriso intrigante, na percepção de Ema. Mas ali já não estava Gu…

– Olhe quem chegou! Coitadinha! Tão jovem!

Seguiram-se beijos e condolências. Senhoras com vestidos pretos (Ema usava uma camiseta social cinza, com a gola desabotoada) enfileiraram-se para consolá-la. Um pedido para ir ao banheiro enxugar as lágrimas que não caíam e uma cadeira escondida por uma escultura de vidro fosco protegeram-na de pêsames mais duradouros.

11h25. O “tic-tac” não foi suficiente para abafar a oração em coro e o barulho oco do fechar do caixão. Ema se disfarçou com um chapéu e um lenço escuro no momento de acompanhar à distância o cortejo fúnebre. Pensou em tomar outro caminho; fugir. Não conseguiu. Entreteve-se com uma das árvores na calçada diante dos brancos muros do cemitério. No tronco que apontava para a rua, uma grande e esverdeada folhagem pendia para baixo. Como se lamentasse pelas folhas amarelas, opacas, caídas no chão.

– Vai ficar plantada aí? – sorriu uma garota, que observava o cortejo entrar no cemitério.

Ema correspondeu ao sorriso e seguiu o caminho dos demais.

12h00m00s. Não foi para desviar dos olhos de ninguém que Ema recorreu ao relógio quando entrou no cemitério. Ela não queria assistir ao seu namorado ser enterrado. Ainda havia quem rezasse em voz alta em frente à lápide de bronze enquanto o caixão sumia sob a terra. Naquele exato momento, os ponteiros de horas, minutos e segundos do relógio de Ema sinalizavam o número 12 simultaneamente pela primeira vez no dia.

12h00m00s. À noite, novamente no conforto de sua casa, Ema voltara a esquecer que estava com o relógio no pulso – só costumava tirá-lo para tomar banho. Ela já havia recolhido todos os pertences do namorado. Reuniu escova de dente, roupas, desodorante e perfumes em uma cesta de palha. E finalmente chorou. Quando limpou as lágrimas do rosto com a mão direita, percebeu que o dia acabara. Era meia-noite de sua primeira madrugada como viúva.

Em ato espontâneo, Ema tirou o relógio do braço e o arremessou na cesta com pertences do namorado. Seu pulso, antes escondido dos raios solares pelo objeto, ficara branco.

O alarme do relógio disparou. Ema sorriu. Já não precisava mais de um aviso para lembrá-la de tomar pílulas anticoncepcionais havia muito tempo, mas mantivera o hábito de desligar o apito todas as noites.

Antes de dormir, Ema colocou a mão sobre a barriga saliente, grávida de seis meses. Desde a notícia de que seria mãe, encontrara um meio para o reinício. Restava, agora, achar um fim para a sua vida.

Helder Júnior escreve às quintas-feiras para o Sete Doses