Romário disputou clássico contra o Flamengo, em março de 2007, e ficou ainda mais perto de atingir a (polêmica) marca de mil gols ao fazer o terceiro da vitória vascaína aos 33 minutos do segundo tempo. O histórico milésimo só não saiu naquela mesma noite porque o então goleiro Bruno fez ótima defesa no final da partida.

Mesmo assim, o gol 1.000 parecia estar muito perto para o rei da grande área no futebol mundial. Afinal, Romário já havia feito os 999 gols da sua conta com extrema tranquilidade, que fazia o futebol e a arte de marcá-los como algo fácil. Nada mais enganoso.

Romário sofreu com a pressão de logo marcar o milésimo gol. Perdeu chances claras contra o Botafogo e viu o Vasco ser eliminado nas semifinais da Taça Rio pelo rival. E, em um vexame histórico, participou da eliminação da equipe pelo Gama, no Maracanã, na Copa do Brasil.

Precisou esperar mais um mês para entrar novamente em campo, já que o Vasco estava eliminado das duas competições oficiais que participava. E a consagração definitiva veio em 21de maio de 2007, com a ajuda de Durval. O zagueiro do Sport, que havia evitado gol de cabeça de Romário no primeiro tempo, colocou a mão na bola no início da etapa final. Pênalti para o Vasco e Romário.

Olhar fixo em Magrão, uma breve corrida, uma paradinha e um chute no canto esquerdo do gol para superar o antagonista e a única razão que lhe fez jogar futebol até os 41 anos. Depois, a volta olímpica, dada sem precisar carregar o peso de ter que fazer o gol que foi muito mais difícil de marcar do que os outros 999.

A agonia não respeita nem os grandes craques do futebol. Mas eles sabem driblá-la e escrevem de vez o nome na história do esporte.

Leandro Augusto publica vídeos sobre esportes aos sábados no Sete Doses.

Para ser grande, um clube não precisa estar na primeira divisão do futebol brasileiro. Mas é bom que esteja na elite, afinal, uma equipe só se faz gigante quando enfrenta, vence, perde e faz partidas históricas contra os seus pares. Porém, a presença de grandes times na Série B tem sido rotineiro nos últimos anos no País.

Em 2008, o Vasco viveu o pesadelo de ser rebaixado. E o seu purgatório durou todo o ano seguinte. Para dificultar a situação do seu torcedor, teve dificuldade para se reforçar com qualidade. E, como resultado, fez um Campeonato Carioca medíocre e se arrastou na Copa do Brasil até chegar às semifinais.

Foi quando o presidente Roberto Dinamite, mais pensando nas condoídas contas do clube, teve uma das melhores ideias da sua gestão. Tirou o primeiro jogo da semifinal contra o Corinthians do Estádio de São Januário e o levou ao Maracanã. Ação tomada, aguardou que o torcedor desse a resposta que as finanças vascaínas precisavam.

O Maracanã pulsou como só acontece nos grandes jogos com grandes torcidas. Mais de 70 mil vascaínos foram ao principal palco do futebol brasileiro mostrar que nada abala o torcedor. Nem rebaixamento para a Série B, seguidos fracassos ou gestões temerárias do clube. E nem um adversário superior.

Com mais qualidade técnica e entrosamento, o Corinthians foi dono do primeiro tempo. Foi ao intervalo vencendo por 1 a 0, com gol marcado por Dentinho. Mas ainda poderia ter feito outros, com Elias e o próprio Dentinho.

Parecia pouco o que o Vasco poderia fazer para superar ou ao menos equilibrar o jogo. Mas o apoio do torcedor tornou a equipe mais corajosa no segundo tempo. O confronto ficou emocionante, com chances de gol para as duas equipes. E o Vasco chegou ao gol de empate com Rodrigo Pimpão.

Poderia ter virado o placar, como correu riscos de perder um jogo emocionante e quente, que envolveu dois gigantes do futebol brasileiro. E a vontade da equipe, mesmo que não suficiente para virar uma vitória, fez o torcedor aumentar o orgulho de ser vascaíno. Mal sabiam eles que são os próprios responsáveis por fazer o clube da Colina um dos gigantes do futebol brasileiro.

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Ao lado do Corinthians, o Vasco dominou o futebol brasileiro entre 1997 e 2001. Nesse período, a equipe foi campeã da Libertadores (1998), bicampeã nacional (1997 e 2000) e campeã da Mercosul (2000). Porém, enfrentou dificuldades para confirmar o seu poderio no Campeonato Carioca.

Campeão estadual em 1998, o Vasco amargou quatro segundas colocações neste período, em 1997, 1999, 2000 e 2001. Nascia neste período de bonança nacional e internacional a fama de vice-campeão do clube de São Januário.

Assim, quando chegou à final do Campeonato Carioca de 2003, a equipe tinha esse peso em contraponto ao seu favoritismo diante do Fluminense. Além disso, a equipe não contava mais com craques como Edmundo, Felipe e Romário. Seus astros eram Petkovic e Marcelinho Carioca, mais identificados com outros rivais. E ainda existiam as promessas Souza e Léo Lima, oriundos das categorias de base.

Cada um fez a sua parte nas finais contra o Fluminense para que o jejum estadual vascaíno terminasse. No primeiro confronto, Marcelinho foi decisivo e a equipe abriu vantagem com um triunfo por 2 a 1, no Maracanã, em partida disputada numa noite de quarta-feira.

Em um domingo, o dia criado para que o futebol fosse disputado, o Maracanã lotou de vascaínos e tricolores. A final foi tensa, cheia de jogadas ríspidas e polêmicas. E o árbitro Samir Yarak tentou assumir a condição de personagem principal ao cometer erros e trapalhadas em sequência.

Autor do primeiro gol da partida, Léo Lima, porém, frustrou os planos do juiz nos minutos finais da decisão. Da ponta esquerda, fez um cruzamento de letra que terminou com gol de Souza, que definiu mais uma vitória por 2 a 1. O Vasco voltava a ser o dono do Rio. E um passe magistral se mostrou mais importante e inesquecível do que um gol de título.

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No maior título da sua história, o Vasco passou pelo River Plate nas semifinais antes de conquistar a Libertadores de 1999 na decisão contra o Barcelona, do Equador. Em 2000, o time de São Januário voltou a passar pelos argentinos para chegar na final de uma competição sul-americana, com vitórias no Rio e em Buenos Aires.

Dessa vez, porém, o adversário da final era mais qualificado, mesmo sem ter um elenco brilhante. O Vasco venceu a primeira decisão da Copa Mercosul contra o Palmeiras, em São Januário, por 2 a 0, mas perdeu o segundo jogo, no Palestra Itália, por 1 a 0. A definição ficou para um tira-teima, novamente em São Paulo.

Jogando em casa, o Palmeiras se impôs e chegou aos gols no final do primeiro tempo. E foram três, com Arce, aos 36, Magrão, aos 37, e Tuta, aos 45 minutos. Restavam apenas mais 45 minutos para o bicampeonato palmeirense.

O Vasco, porém, não pensou assim. Romário, aos 13 e 23 minutos, em cobranças de pênalti assustou o Palmeiras. O jogo tinha um novo dono e nem a expulsão de Júnior Baiano interrompeu a reação vascaína. Com gols de Juninho Paulista, aos 40, e Romário, aos 48 minutos, o Vasco conseguiu a virada, a vitória e uma das conquistas mais espetaculares da sua história.

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Existe um discurso bobo de que os clubes brasileiro estão fadados ao fracasso no ano em que comemoram o centenário. Isso começou com o fracasso do “Ataque dos Sonhos” do Flamengo em 1995, passou por Botafogo, Grêmio, Atlético e Coritiba. Mas existem alguns pontos fora da curva, e o principal deles é o Vasco.

Em 1998, a equipe foi campeã da Libertadores e do Campeonato Carioca, manchado por vários W.O., parou nas semifnais da Copa do Brasil e ficou em décimo lugar no Brasileirão, deixado em segundo plano em diversos momentos por conta da preparação para o confronto com o Real Madrid para o Mundial Interclubes, em Tóquio.

A tarefa era árdua e o Vasco sabia disso, tanto que chegou com dez dias de antecedência ao Japão. Não seria fácil bater o Real Madrid de Ilgner, Roberto Carlos, Redondo, Seedorf e Raul. E o primeiro tempo da partida comprovou isso. Mesmo com um time qualificado, o Vasco foi acuado na etapa inicial e saiu perdendo com um gol contra do volante Nasa, que tentou cortar um cruzamento sem direção de Roberto Carlos.

O jogo mudou no segundo tempo, Juninho Pernambucano empatou a partida com um golaço, Felipe quase fez outro e a virada parecia certa… Até aparecer o talento de Raul, a inocência de Vitor: Real Madrid 2 a 1. Ao vascaíno restou o orgulho da valentia dos seu time. Pouco para curar a dor de um sonho de um centenário perfeito que parecia tão real.

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